Categoria: Olhar de Mãe

Artigos sinceros e reais do ponto de vista de uma mãe!

  • A redescoberta após a maternidade: você já fez algo por você hoje?

    A redescoberta após a maternidade: você já fez algo por você hoje?

    Quando o Descomplica Mãe explicou que seu objetivo era trazer de volta o foco na mãe, pensei: ah, que ótimo, as mães realmente precisam disso! Mas aí parei e me perguntei: E eu, o que fiz ou estou fazendo por mim?

    Quando estamos esperando um bebê, toda a atenção é voltada para nós: as pessoas se levantam para você se sentar, perguntam sobre a sua saúde, se interessam pelas suas expectativas e são até mais gentis. Quando você se torna mãe, acabou, o foco agora é o bebê. OK, justíssimo! Só que abrimos mão de tanta coisa para o bem dos nossos filhos (seja durante a gravidez, durante a amamentação e pelos anos seguintes) que acabamos nos acostumando a pensar em nós por último!

    Eu já tinha me dado conta que estava completamente perdida nesse universo muito louco que é a maternidade! Mas não sabia como e nem o que eu poderia fazer para me reencontrar. Eu estava vivendo totalmente por e para os meus filhos e me deixado de escanteio.

    Eu tinha consciência que me tornara uma outra pessoa depois que meus filhos nasceram, mas o meu desafio era descobrir “quem eu havia me tornado”. O que eu gosto de fazer? O que eu quero fazer? Percebi que não sabia responder essas questões sem envolver as crianças.

    Pergunto: quem nunca se pegou assistindo canal de desenho enquanto as crianças estavam dormindo? Estamos funcionando no automático…

    Aos poucos, fui me valorizando mais, deixando a culpa de lado e prestando mais atenção em mim, nos meus gostos. Pode testar, você vai ver que atitudes simples, que parecem ser ridículas, já causam efeito! Tirar 10 minutinhos para ler um livro, estabelecer que a hora da sua novela é sagrada, folhear uma revista tomando uma taça de vinho, praticar exercícios e, pasmem… comprar uma roupa nova para você e não para as crianças. Faça algo por você, por mais simples que pareça, e verá como isso pode te fazer bem!

    A partir do momento que tomei consciência que precisava voltar a me enxergar, minha cabeça foi abrindo e tendo novas perspectivas. Fazer cursos, estudar, ler mais, resgatar antigos hobbies. Prestar atenção em pequenas coisas ao redor que te fazem feliz. Deixar as sapatilhas de lado e voltar a usar salto! Tentar ter uma conversa com uma amiga fugindo da pauta maternidade (difícil, eu sei). Essas são algumas atitudes que podem ajudar a você se reencontrar! Resumindo: descomplique!

    Claro que tudo faz parte de um processo que depende também da idade dos filhos e da característica de cada mãe. Conheço mães que conseguiram se reencontrar rapidamente após a maternidade, assim como outras que ainda estão neste caminho, como eu. Só sei que está valendo muito a pena e me fazendo bem!

    Você já fez algo por você hoje?

    smiles-woman-happy-woman-smile
    Photo via Visualhunt.com

    Leia também:

    Você já se sentiu perdida após a maternidade?

  • Primeiros minutos do dia de uma mãe com filhos em férias

    Primeiros minutos do dia de uma mãe com filhos em férias

    São 10h da manhã e eu ainda estou de pijama. Desentendidos dirão “êê vida boa”. Mães entenderão.

    Só para registrar como são os primeiros minutos do dia de uma mãe com filhos em férias. Liguei o computador para dar sequência a um curso online que estou fazendo. A aula mal começou e o filho acorda. Largo o computador aberto, pois em breve voltarei. Só preciso dar café da manhã…

    “Quero pão de queijo”

    Acendo o forno. Enquanto preaquece, vou pendurar a roupa que está na máquina de lavar desde ontem.

    Penduro apenas 1 peça e ouço: “mãe, mas cadê meu leite?” Deixo a máquina de lavar aberta, pois logo voltarei a pendurar as roupas. Enquanto pego o leite, a caçula: “mãe, muda de desenho? Esse tá chato”. Deixo o leite em cima do balcão da cozinha e vou pra sala mudar o desenho.

    Ops, já passou o tempo, preciso colocar o pão de queijo no forno.

    “MÃE, quero leiteeeeee”

    “Xixiiiiiiiiiii”, diz a caçula

    Telefone toca e é alguém do cartão Marisa me lembrando (cobrando) do pagamento. Xiiiiii

    “Mãe, meu leite!!!”

    E a roupa para pendurar ficará para mais tarde ou para amanhã…

    O curso online continua no pause, nem sei pra quando fica….

    Lavar a louça? hahahaha Faz-me rir

    louça pra lavar

    E ai minhas pendências urgentes começam a vir à tona na minha cabeça para me atormentar. Marcar oftalmo para as crianças, pedir reembolso do plano de saúde, comprar pipicat para as gatas, comprar legumes para uma sopinha, farmácia… Tudo tão simples de fazer, mas tão longe de cumprir…Difícil definir as prioridades, né?

    Mãe, brinca comigo?

    Mãe, o Teodoro me bateu

    Mãe, posso brincar de tinta?

    Mãe, quero andar de bicicleta

    Pausa para revirar a sala atrás do controle remoto da televisão que estava aqui agora mesmo. Meu Deus, como podem fazer tanta bagunça em tão pouco tempo?

    Mãe, o Wi-Fi não tá funcionando

    Mãe
    Mãe
    Mãe

    Parem de brigar! Irmãos não brigam….

    Mãe
    Mãe
    Mãe

    Mããããe, acabei, vem limpar?!

    Mããããããnheeeeeeee

    Eu realmente não faço a mínima ideia de quantos “mães” ouço no dia.

    PÃO DE QUEIJO QUEIMOU!

    pao de queijo queimado

    E assim o dia segue…fazendo tudo pela metade, um pouquinho aqui, outro ali. Outro dia postei no Instagram que adocei o meu café com hidrosteril no lugar de adoçante. SUPER COMPREENSÍVEL. Será que é isso que chamam de exaustão?

    instagram_todasasmaes

     

    São 10h da manhã e eu ainda estou de pijama. Desentendidos dirão “êê vida boa”. Mães entenderão.

    E sim, ainda os levarei (pretendo) para brincar na pracinha, naquela atração do shopping, no cinema, no teatrinho, sei lá aonde!!! Isso se eu conseguir que eles calcem os sapatos em menos de dez minutos. Isso depois de mais dez minutos explicando pro filho mais velho que NÃO, não dá para ele usar shorts e chinelo nesse frio que está fazendo (afinal de contas, né, quero seguir a disciplina positiva que tanto leio na internet. Aprendi que mandar colocar a calça apenas pelo fato de mandar, pode fazer dele um menino obediente sim, mas lá na vida adulta não será uma pessoa consciente e questionadora, pois a mãe só mandava. Será que é isso mesmo, será que entendi certo o vídeo daquele influencer famoso sobre educação?).

    Ai, caramba, a Alice não quer entender que NÃO, eu não vou liberar o Toddynho (mães fitness, me julguem) porque ela já comeu dois pedaços de bolo de chocolate no café da manhã. (Ó mãe displicente, tacando açúcar nessa criança. Faz uma tapioca, tão simples de fazer e muito mais saudável… ahã).

    “Filha, calma, não precisa chorar assim, filha, é que você já comeu DOIS pedaços de bolo! A gente combinou, né? (fazendo a mãe bacana)”

    “Não vou falar mais com a mamãe, a mamãe não é minha amiga”, alerta a minha caçula, que ficou de mal de mim pela quinta vez no dia.

    Ai, quer saber?! Pode tomar esse Toddynho. Filho, quer ir de shorts? Vai!

    Sei que no final dia a palavra que mais falo por aqui é: “peraí! E exausta, ainda suplico: “Peraí gente por favor, a mamãe é uma só (cláaasssico de mãe), só consigo fazer uma coisa de cada vez (mentira)”.

    E ai o marido chega à noite e pergunta: e aí, o que vocês fizeram hoje?

    Olha… Nem sei responder. Muitas vezes a minha resposta é: ah, nada demais, eles ficaram brincando…

    E é aí que peco, que me saboto! Porra, fiz coisa pra caralho (desculpem, eu também falo palavrão)! Quer dizer, EU mesma não consegui fazer nada, mas eles… Tão curtindo bastante essa vida sem compromissos rs! Mas tudo bem, né, quem está de férias são eles e não eu.

    Aliás, aonde fica o RH dessa casa, porque acho que estou com minhas férias vencidas há 5 anos!!!

    P.S. Aí depois de ler o meu post você fala: “Ah vá, não tem tempo pra nada, mas consegue escrever um texto”. É, mas tudo tem o seu preço. Em meia hora que sentei no computador, minha sala ficou assim:

    Sofá arrastado e colado à frente da TV, objetos não identificados no chão, migalhas de bolo e pão de queijo em todo lugar, um colchão quase na porta pra rua... Meu Deus, tchau redes sociais, preciso ir!
    Sofá arrastado e colado à frente da TV, objetos não identificados no chão, migalhas de bolo e pão de queijo em todo lugar, um colchão quase na porta pra rua… Meu Deus, tchau redes sociais, preciso ir!
  • A chatice de ler sobre o lado ruim da maternidade

    A chatice de ler sobre o lado ruim da maternidade

    Vou contar uma coisa… às vezes (muitas vezes) me irrito quando leio/ assisto matérias do tipo “desmistificando a maternidade”, “o lado B da maternidade” ou, falando mais abertamente, “o lado ruim da maternidade”. Porque ser mãe não é fácil, porque a gente não dorme bem nunca mais, porque amamentar é dolorido,  porque educar é estressante, porque o casamento sofre mudanças etc etc etc. Essa é a mais pura verdade? É! Mas de tanto texto assim que vejo por aí, parece até que o objetivo é desencorajar as futuras mães…

    textos sobre maternidade
    Photo via VisualHunt

    OK, entendo que é importante falar sobre a vida real, até mesmo para outras mães que estejam passando pela mesma situação encontrarem uma rede de apoio e poderem sentir que não estão só. Mas, por outro lado, acho chatíssimo ficar falando o tempo todo das coisas negativas da vida de mãe. Quando eu estava com 8 meses de gravidez do meu primeiro filho li uma matéria em um blog falando que a amamentação era difícil, era dolorida, que podia dar mastite, que o peito ia rachar, que o bebê ia demorar muito para aprender a pega. E sinceramente? Achei super broxante ler tudo aquilo!

    Quando meus filhos completaram 2 anos, eu estava mais preocupada com o tal do “terrible two” que li tanto na internet do que com as novidades do desenvolvimento deles. Qualquer chorinho eu já apontava: “olha lá, olha lá, é o terrible two!!”. E às vezes nem era isso…

    Eu sei que precisamos falar também das dificuldades do mundo materno. Mas acho que, se é pra falar algo ruim, que seja dando a solução, indicando um caminho, ajudando ou então que vá pelo lado mais cômico, mais na esportiva. Falar que é difícil só por falar, me parece um spoiler chato, um estraga prazeres. Por que eu vou querer saber das “10 coisas chatas que não te contaram sobre a maternidade” se posso descobrir eu mesma sendo mãe dos meus filhos?

    Está rolando uma problematização da maternidade muito maçante na minha opinião. Acho que dá para levar a vida com os filhos com mais leveza, não dá?

    Esse “sermão” serve para mim também, tá? Muitas vezes me pego falando sem necessidade sobre partes chatas de maternar. Quer tentar fazer um reforço positivo comigo nos próximos dias? Que tal nos esforçarmos para enxergar mais o lado A da maternidade, que é o que importa de verdade?

  • 10 pautas para blogs de maternidade daqui a 30 anos

    10 pautas para blogs de maternidade daqui a 30 anos

    Em um dos seminários da Pais&Filhos que estive presente, a Mônica Figueiredo, diretora editorial da revista, brincou sobre a quantidade de blogueiras de maternidade que existe hoje em dia: “nasce um bebê, nasce um blog”. Todas nós rimos, pois essa é a mais pura verdade! Existem centenas ou milhares de blogs de maternidade que falam sobre a experiência de ser mãe. E não é à toa que as mães blogueiras viraram novas influenciadoras digitais.

    blog materno

    Neste mês, a agência Youpper publicou um estudo inédito sobre mães, influência e consumo. De acordo com a pesquisa, 75% das mães brasileiras que acessam a internet, buscam informações sobre experiências reais que envolvem o universo maternal, os blogs, fóruns, redes sociais etc. O estudo apontou que não são as marcas diretamente que influenciam as mães, mas principalmente as vivências das mães com as marcas que determinam o consumo de produtos pelas mulheres que vivenciam a maternidade.

    O difícil, para nós, blogueiras, não é criar um blog. O difícil é manter um blog, e com qualidade! Faço o Todas as Mães com o maior carinho e respeito, com o objetivo de fazê-lo crescer a cada ano. Escrevo pensando nas mães leitoras, sem deixar a minha essência e meu objetivo, que é compartilhar experiências, desabafos e novidades. É um trabalho de formiguinha, com muita paciência e perseverança. Não quero ganhar seguidoras… quero conquistar amigas. Por isso, sigo meu caminho, escrevendo com muito amor e dedicação, pois é isso que me faz feliz! AMO, amo demais quando leio um comentário de alguma mãe dizendo que meu texto a ajudou de alguma forma! Ou quando uma entrevistada/especialista convidada recebe elogios através do blog. AMO o que faço porque eu aprendo também, e ainda tenho muito o que aprender – tanto sendo mãe quanto blogueira rs

    blogs de maternidade
    Esse é o pôster que fica na minha mesa representando o meu amor pela escrita <3

    E hoje, conversando com a minha mãe sobre me dedicar a um blog de maternidade, perguntei:

    “Eita, e quando meus filhos crescerem? Minha carreira vai acabar hahaha?”

    É claro, que não, respondeu minha mãe. “A gente sempre tem o que falar quando o assunto são filhos, não importa a idade. Não é porque sou avó que deixei te ver como minha filha”, disse a sábia da minha mãe . Então tá! Mãe e filha decidiram já deixar prontas algumas pautas para o meu blog daqui uns 20, 30 anos. Porque pelo que estou entendendo da maternidade, a preocupação com os filhos não acaba nunca, nem com o passar dos anos…

    10 pautas para blogs de maternidade daqui a 30 anos

    1. Explicando para os filhos que não existia internet, Netflix e nem celular quando você nasceu.
      Sim, filho, eu já fui xóvem
    2. Educação e aulas de história: vale a pena contratar professor particular?
      Porque né… com a situação do Brasil fica difícil ter nota acima da média sem aula de reforço
    3. Síndrome do ninho vazio, como enfrentar 🙁
      Nossa hora vai chegar 🙁
    4. Almoçando com a nora (especial com 3 posts e entrevistas com especialistas)
      Não gostei dela…
    5. Dicas infalíveis para acabar com a farra do sumiço do tupperware
      Quem nunca?
    6. Almoço de domingo: sim, eles podem lavar a louça mesmo estando na sua casa!
      Vamo botar esses marmanjo pra trabalhá!
    7. “Quando serei avó?” e outras perguntinhas que meus filhos não gostam que eu faça.
      Mãe sendo mãe
    8. Ela não me ligou no fim de semana …será que minha filha está se afastando de mim?”
      Essa “pauta” foi sugerida pela minha mãe. Não, mãe, não estamos nos afastando rs
    9. Posso apresentar A Galinha Pintadinha aos netos? Sempre fiz isso com meus filhos e eles aí, criados e vivos!
      Na dúvida, a gente pergunta
    10. Transmissão 7D e holografia: confira a lista com os 5 melhores apps para estar em contato com os filhos e netos à distância
      Acho que vou publicar essa em 5 anos

    É, gente… mães quando se juntam tem assunto de sobra, mesmo daqui  20, 30 anos!

  • Ser uma mãe legal é ter que brincar o tempo todo?

    Ser uma mãe legal é ter que brincar o tempo todo?

    Hoje meu filho levou uma bronca daquelas! Estávamos saindo para a rua, fui colocar o casaco nele (já tínhamos combinado), ele olhou pra mim, riu e saiu fugindo, correndo em círculos. Ele tem 5 anos. Fiquei muito furiosa, me tira do sério quando ele foge de mim. E isso acontece sempre! Algumas mães ficam bravas quando a criança faz birra ou quando recusa uma comida. Eu fico puta quando ele foge de mim. E ele sabe disso. Eu me sinto uma mãe pateta que não tem a mínima autoridade com o filho. Ele só volta quando falo daquele jeito rangendo os dentes e falando ao mesmo tempo de boca fechada: “volta aqui agora!”. Imagino eu que, neste momento, ele veja fumacinha saindo da minha cabeça.

    Depois fiquei pensando…(a maledeta culpa materna): será que fui muito rígida? Devia ter levado essa brincadeira mais na esportiva? Sim, porque aos olhos dele era brincadeira!

    Dá pra ser uma mãe legal o tempo todo com os filhos?

    a novica rebelde

    Porque eu abaixo na altura dos olhos das crianças, explico, combino, explico de novo, abraço. Mas na hora do vamos ver, o que meu filho faz? Foge, sai correndo de mim e mais uma vez me deixa loooouca!

    Me digam… o que é ser uma mãe legal para vocês? Sei da importância do brincar, mas vocês brincam o tempo todo com seus filhos? No momento que meu filho fugiu de mim, eu deveria ter dado um largo sorriso e começar a brincar de pega pega no meio do prédio do dentista que nós estávamos (hahaha)? Você também passa por esses momentos de se achar uma mãe pateta que não tem controle de nada e só depois de ficar brava que as coisas entram nos eixos?

    Às vezes canso de ser mãe chata mas… sinceramente? Não sei ser mãe legal! hahahah

    Quem já assistiu A Noviça Rebelde? De vez em quando eu me acho o Capitão von Trapp (antes de Maria chegar), que só conseguia manter a ordem em casa  não pela sua empatia mas, sim, com seus comandos dignos de um quartel. Pensando bem, na verdade não posso nem ousar em me comparar com o Capitão von Trapp, que cuidava de 7 crianças. Eu, só com 2, não tenho a mesma liderança que ele hahaha Mas que muitas vezes eu penso em ter aquele apito igual ao dele, ah, penso mesmo!

     

  • Por que eu ensino meus filhos a rezarem

    Por que eu ensino meus filhos a rezarem

    “Ensinem seus filhos a rezar”, falou o padre na missa do batizado da minha sobrinha. Eu concordei, pois aqui em casa já era um costume nosso fazer uma oração antes de dormir.

    CRIANÇA REZANDO
    Foto: freeimages

    “Papai do céu, agradeço pelo meu dia, abençoe meu soninho, amém”. É assim que eles rezam antes de adormecerem. Às vezes eles incluem por vontade própria outros agradecimentos, como “obrigado pela minha mãe ter deixado eu brincar de massinha no sofá” hahaha

    Mas eu só não sabia o quanto estava sendo importante incluir uma oração de agradecimento na rotininha deles. E um belo dia fui surpreendida pelo meu filho mais velho, de 5 anos, que falou que era importante a gente agradecer pela nossa vida para o papai do céu. Fiquei boquiaberta quando ouvi ele falar assim!

    Tudo começou quando ele viu um morador de rua dormindo ao relento, no chão. Ele me perguntou por que aquele homem dormia em meio à sujeira. Difícil explicar a desigualdade social para uma criança de 5 anos (eu tenho quase 40 e ainda não consigo entender).

    Conversamos um pouco sobre o assunto e encerrei ressaltando a importância de sermos gratos. A gratidão não precisa estar ligada à religião. Aqui em casa eles agradecem ao Papai do Céu e frequentam a missa. Mas acho que mais importante do que estar ligado a uma igreja, é ensinar os filhos a gratidão.

    Agradecer pelo que temos, agradecer por termos um teto para morar, por termos saúde e comida, por podermos comprar brinquedos e roupas, enfim… Agradecer pela vida! Acredito que assim pode ser um pouco mais fácil das crianças conseguirem se colocar no lugar do outro à medida que forem ganhando maturidade. Isso se chama empatia.

    Frase feita ou não, imitada ou não, quando eu ouvi do meu filho que a gente deve agradecer todo dia pela vida que temos, eu me enchi de orgulho deste meu pequeno! E continuarei seguindo este caminho: de ensinar e aprender a gratidão to-dos-os-di-as.

    E você, tem algum ritual de agradecimento com os filhos?

  • Por que o segundo filho é mais fácil… E por que é difícil também

    Por que o segundo filho é mais fácil… E por que é difícil também

    Mãe de dois

    mae de 2

    Todo mundo acha que quando o segundo filho vem, tudo é mais fácil, afinal de contas você já sabe o que é ter um filho, já sabe o que é ser mãe.

    Bom, é verdade, o segundo filho, salvo algumas exceções, vem sem grandes novidades. Você já é mãe, já sabe o que vem pela frente, já passou pelas fases de desenvolvimento do primeiro filho. Mesmo que o intervalo entre os dois seja de poucos meses ou vários anos. A experiência de ser mãe você já tem e isso não vai mudar. 

    O que mudou para mim foi o modo com que encarei a maternidade. Como foram gestações sem sustos de saúde, levei a segunda gravidez de um jeito mais leve, se me preocupar tanto (e sem ler tantos livros “gravidez mês a mês”). Mas isso é ruim também. Me pergunte se eu fiz o “livro do bebê” da minha caçulinha, com tooodos aqueles detalhes do nascimento?! Quando ela crescer e descobrir isso, aposto que vai ficar #chateada :/

    No final da primeira gravidez, evitava carregar peso e fazer muito esforço. No final da segunda gravidez eu carregava o primogênito no colo (na época com 2 anos) pra cima e para baixo. Não que isso fosse indicado, mas não tinha o que fazer!

    Na amamentação do Teodoro – que foi até 1 ano e 1 mês – eu sentava calmamente na minha poltrona branca de couro, colocava uma musiquinha suave, deixava só a luz do abajur acesa e ele mamava tranquilamente. Com a Alice não teve esse romantismo todo em torno da amamentação. Ela mamava enquanto o irmão pulava em cima de mim querendo brincar ou enquanto eu dava bronca de longe falando que ele não podia colocar a mão na tomada ou enquanto ele tinha seus ataques de birra típicos do terrible two! Hahaha

    Se por um lado a caçula não desfrutou de momentos tranquilos na amamentação, por outro lado ela teve a chance de ter o irmão o tempo todo estimulando seu desenvolvimento. Por mais caretas que você faça, não existe nada mais engraçado para um bebê do que outra criança. Eles se divertem juntos desde os primeiros meses!

    É interessante também notar que não só você e a sua mentalidade mudam entre uma gravidez e outra… as recomendações mudam e nem precisa voltar muito no tempo, não. Quando meu filho mais velho nasceu, há 5 anos, alguns pediatras e azamigas diziam que o bebê deveria dormir desde o primeiro dia de vida no berço dele para se acostumar a dormir sozinho. Naquela época o livro “Nana, Nenê” fazia o maior sucesso sugerindo o método de deixar o bebê chorando sozinho no berço em intervalos controlados até o seu filho aprender a dormir. Pegar no colo era um erro!

    Eu não segui esse método, não existia a menor possibilidade de eu ouvir o meu filhote chorando e deixá-lo sozinho desamparado. Mas que fez um sucesso entre muitas mães da época, isso fez.

    Já quando a Alice nasceu, há 3 anos (diferença de 2 anos entre um e outro), esse método de deixar o bebê chorando já tinha sido muito questionado e abandonado pelas mães. E começou a surgir por aqui o berço de co-sleeper, aquele bercinho para colocar do lado da cama da mãe. Hoje em dia a Academia Americana de Pediatria recomenda que o bebê durma no quarto dos pais até um ano de vida. E esse berço co-sleeper, até então caro e dificílimo de ser achado, é bem mais comum hoje em dia nas lojas de móveis.

    Isso sem contar com as mudanças mais que necessárias nas recomendações de parto cesariana, de acordo com as regras estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 2015. O incentivo ao parto normal mudou drasticamente de poucos anos para cá, embora ainda esteja aquém do ideal – em 2016, 55% dos partos foram através de cirurgia cesariana, segundo o Ministério da Saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas 15% dos partos sejam cesários.

    Ou seja, a sua cabeça em relação à maternidade também muda de acordo com o meio que você está vivendo. Tem muito de uma questão histórica e cultural. Isso explica quando os mais velhos insistem em dizer “na minha época não era assim”… Dá para entender, né? (Só não precisa seguir todas as indicações do tempo da vovó hihihi).

    Mas das coisas que não mudam, consegui listar algumas facilidades e dificuldades de ter o segundo filho:

    Facilidades

    – aproveitar roupas, uniformes, móveis e acessórios do primeiro filho – mesmo que de sexos diferentes.

    – você já tem bastante experiência na troca de fralda

    – não precisa se descabelar para encontrar um pediatra para o seu segundo filho, você já tem um.

    – já tem opinião formada sobre dar vacina no posto de saúde ou na clínica particular.

    – já sabe em qual escolinha/ creche vai colocar o(a) segundinho(a)

    – eles brincam juntos. Bastante! E você vai se derreter de amor quando presenciar uma cena de carinho, que não são poucas <3

    Dificuldades

    – dependendo da diferença de idade entre os filhos – no meu caso 2 anos – você passa cerca de 5 anos trocando fraldas e mais fraldas. E se os 2 usarem fraldas ao mesmo tempo, os gastos com farmácia sobem assustadoramente.

    – um acorda, o outro acorda também :/ Mesmo que seja 5h da manhã!

    – eles brigam. Bastante! E você será sempre a juíza de pequenas causas. Minúsculas causas, na verdade.

    – virose: um pega, o outro pega também. Mas pelo menos quando o segundo fica doente, você já sabe o que está por vir.

    – Se com um filho você já ouvia o chamado “mãe” 467.873 vezes, esse número vai dobrar com dois filhos. Com três filhos, eu andaria com um fone de ouvido! Hihih brincadeira (não, não é brincadeira).

    São inúmeras facilidade e dificuldades, eu diria até incontáveis!

    Você me ajuda a aumentar essa lista?

    Quais são as maiores facilidades e dificuldades de ser mãe de dois (ou mais)?

    Comente aqui e marque as suas amigas para comentarem também!

  • Mãe não é (e nem tem que ser) supermãe

    Mãe não é (e nem tem que ser) supermãe

    Na última semana rodou na rede a foto mostrando Melissa Wardlow trabalhando como fotógrafa em um jogo de futebol americano, ao mesmo tempo que carregava seu filho de 3 anos e o caçula de 8 meses no canguru. A foto foi publicada no The Dallas Morning News e a fotógrafa foi chamada de “ultimate multitasking” ou “mãe multitarefa”. A foto é de setembro, mas só agora que tomou uma proporção maior no Brasil.

    the-dallas-morning-news
    Um filho de 3 anos nas costas, outro de 8 meses na frente, mamadeira em uma mão, câmera na outra e muito trabalho

    As pessoas (e eu também faço isso sem querer) têm a mania de achar lindo ser uma supermãe. Mas será que quando cultuamos essa mãe multitarefas – aquela que faz de tudo um pouco tão bem – não estamos também renegando ajuda, seja do pai ou de outro cuidador? Não cabe a mim criticar nem julgar, apenas estou fazendo um convite à reflexão.

    Nessa foto muitas veem uma mãe guerreira, que não se abala com as dificuldades e carrega literalmente os filhos para o trabalho. Outras pessoas têm outro ponto de vista e enxergam uma mãe sobrecarregada, precisando de ajuda.

    O pai é o treinador de um dos times que estava jogando. Ao que tudo indica, ele estava trabalhando e não podia ficar com as crianças (ops, mas a mãe também estava trabalhando e mesmo assim ficou com as crianças. Ah táááá).

    Não quero fazer mimimi, não é isso. Mãe faz de tudo e mais um pouco sim, segura o rojão, é guerreira, aguenta dois, três, quatro filhos no colo, se necessário! Mas não tem que ser assim, não temos que aplaudir uma situação dessas. Você consegue imaginar o quão difícil deve estar sendo para essa mulher carregar os dois filhos, além da câmera (que não deve ser nada leve), mamadeira AND fazer fotos boas de um jogo de futebol??! No mínimo, está desconfortável!

    Não cabe a mim julgar essa cena… até porque uma foto não diz tudo (lembram-se da enxurrada de julgamentos que aquela mãe americana recebeu após ser clicada no aeroporto digitando no celular enquanto o bebê estava dormindo no chão sobre uma mantinha?). Eu só acho que não é bacana a gente achar o máximo uma mãe sobrecarregada! Porque é o que eu vejo (ela pode achar a situação OK, mas a minha leitura da foto é essa). Se fosse um pai no lugar dela (em geral mais forte fisicamente) muito provavelmente teríamos comentários do tipo “ó que paizão” :/

    Por trás da polêmica foto existe uma verdade que ainda virá à tona. Talvez ela tenha brigado com o marido no final do dia dizendo “p., custava você ficar com o mais velho, pelo menos?” hahah é o que eu teria feito!

    Impossível não lembrar da “mãe multitarefas” agora, com a proximidade das férias escolares! Eu, por exemplo, adoro ficar com meus filhos, mas nas férias é bem puxado, fico sozinha com eles, não tem ninguém para me ajudar em casa durante o dia (#indiretinha) e eles pegam fogo!

    Dou conta dos dois nas férias com aquela energia pipocando das 8h às 21h? Tenho que dar, ué! Mas não sou uma supermãe! É preciso lembrar que eu fico cansada, exausta e muito sobrecarregada, porque além de ficar/brincar/cuidar/alimentar/educar as crianças, eu ainda tenho zilhões de coisas para fazer e dar conta.

    Eu seria uma supermãe se eu passasse o dia inteiro brincando/cuidando/alimentando/educando as crianças sempre com disposição, sorriso no rosto e jamais com o celular na mão. Se eu SEMPRE seguisse as dicas das psicólogas quando há algum atrito (abaixar para falar, não deixar de castigo, disciplina positiva etc etc). Se todos os dias eles tivessem uma comidinha fresquinha, saudável e nutritiva feito pela mamãe, como os pratos que aparecem no Instagram. Se eu fizesse os passeios mais legais com eles durante as férias. Se eu NUNCA ligasse de eles se sujarem de tinta. Se eu nunca reclamasse da bagunça em casa. Se eu nunca tivesse preguiça de dar banho ou de escovar os dentinhos deles. Se eu nunca “esquecesse” de dar aquela vitamina de uso contínuo. Se mesmo depois de um dia cansativo, eu estivesse esbanjando meu charme às oito da noite com as olheiras devidamente maquiadas. Se eu nunca dormisse de calça de moletom e camiseta velha (e sim uma linda camisola de cetim). Se eu acordasse todos os dias às 7h da manhã brincando e fazendo cócegas nas crianças na cama. Se minha casa fosse todo dia limpa e perfumada. Hahahahahah…Não!

    Se um dia você vir uma mãe sobrecarregada, não aplauda. Ofereça ajuda!

    Não é fácil, mas também não quero me vitimar, afinal é uma escolha minha. Vem lavar uma louça ou me convidar para almoçar fora (cas criança tudo) que já fica tudo certo!

    Mas eu confesso que já tentei ser uma supermãe. No dia de apresentação esportiva e cultural da escola dos meus filhos, calhou que a entrega de faixa do judô do meu filho e a aula aberta de inglês da minha filha caíram no mesmo horário, só que em ambientes diferentes. Eu deveria pensar: tudo bem, meu marido acompanha um dos filhos enquanto eu acompanho o outro. E que bom que tenho essa possibilidade. Mas não. Eu quis acompanhar as duas apresentações ao mesmo tempo. Enquanto a caçula cantarolava e saltitava distraída no inglês, eu saí de fininho e fui até a porta espiar meu filho, que estava na quadra embaixo lutando judô. Resultado totalmente frustrante: enquanto eu dava minha olhadela no mais velho lá da varandinha do primeiro andar para a quadra, a professora me chamou: “A Alice está chorando porque ela percebeu que você não estava lá”.

    Fui correndo abraçar a minha filha, tomando consciência da grande besteira que eu fiz com ela. Por alguns minutos minha filha perdeu a confiança e não queria mais me largar, não se sentia mais à vontade de ir dançar com os amiguinhos. Ela me abraçava e eu afirmava que eu não ia mais sair, que eu ficaria só com ela agora. Finalmente eu entendi que se eu estava lá naquela sala, eu devia estar por inteira, pois ela precisava de mim naquele momento. O mais velho não estava desamparado, já que o pai estava cumprindo o seu papel, dividindo comigo a responsabilidade de estar presente em um momento especial do nosso filho. Ou seja, eu bem que podia ter me despido da capa de supermãe e aceitar que uma pessoa não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.

    Definitivamente eu não sou uma supermãe. Eu não quero ser uma supermãe! Não dá certo!

    E, gente, ela não existe!