Categoria: Olhar de Mãe

Artigos sinceros e reais do ponto de vista de uma mãe!

  • Viajar com crianças é fácil. Quero ver viajar com adolescentes

    Viajar com crianças é fácil. Quero ver viajar com adolescentes

    Viajar com bebês dá trabalho, mas viajar com adolescentes exige estratégia. Você está preparada?
    Viajar com adolescentes
    Imagem criada por IA

    Viajar com adolescentes é bem diferente de viajar com crianças pequenas. A logística costuma ficar mais simples, mas surgem novos desafios no planejamento da viagem em família: escolher destinos que interessem aos filhos, lidar com a argumentação deles e encontrar atividades que realmente despertem a curiosidade.

    Na adolescência, o desafio da viagem deixa de ser logístico e passa a ser diplomático

    Viajar com bebês: muito volume na mala, pouca complicação no roteiro

    Viajo com meus filhos desde que eles tinham poucos meses de vida. Não querendo desmerecer o trabalhão que dá para fazer uma mala de viagem para a praia com um bebê de 6 meses – é tanta coisa que carregamos para um simples final de semana, que parece que vamos ficar fora de casa por meses!

    Mas, do ponto de vista do entretenimento, quando seus filhos são ainda bebês, todo lugar será incrível para eles, afinal, tudo o que os pequenos querem é ficar perto dos pais. Para eles, tanto faz se você está em uma praia do litoral de São Paulo ou em Dubai! Nesta fase, além da presença dos pais, o importante são os estímulos diferentes: ambientes, texturas, sons, cores, pessoas novas. 

    Catia e Teodoro
    Para quem pensa que viajar com bebê é difícil…

     

    Alice e Catia em Dubai
    Aqui estávamos em Dubai, mas sinceramente a Alice não parecia se importar com o roteiro kkk

    A fase das crianças: piscina resolve quase tudo

    Quando eles crescem um pouco e entram na fase das grandes descobertas, viajar continua sendo relativamente simples. Um hotel com piscina já resolve boa parte da equação. Se tiver parquinho, fazendinha ou recreação, melhor ainda. A programação não precisa ser complexa: um sorvete depois do jantar, uma atividade ao ar livre, uma brinquedoteca bacana… E pronto, a viagem já vira uma grande aventura.

    Parque Bondinhos Canela - Cascata do Caracol
    Nessa fase a viagem não precisa de tanta negociação. (Parque Bondinhos Canela – Cascata do Caracol)

     

    Letreiro Montevideu
    Até um letreiro vira brincadeira para as crianças. (Montevidéu/ Uruguai).

    Agora… experimente viajar com adolescentes. A coisa muda! A mala até fica mais enxuta, mas uma piscina não basta e tirar o leite da vaca na fazendinha está bem distante dos planos de entreter os seus filhos…

    Catia Paraty
    hahaha sem comentários com esse show de carisma na foto em Paraty!

    O verdadeiro desafio de viajar com adolescentes

    Não podemos negar que a logística para viajar com adolescentes é muito mais simples, além de termos o benefício de arrumarem a mala sozinhos! 

    Bagunça no Aeroporto_viagem com crianças
    Calma! A logística na viagem com adolescentes é mais tranquila!

    Agora, o verdadeiro desafio é o planejamento, a escolha do destino.

    Vamos ser sinceros? A gente tem que primeiro convencê-los de que sair de casa vale a pena!

    Observação: É claro que se você subir a régua, ou seja, aparecer com uma oferta do nível “Vamos para Disney/ Paris/ Japão/ esquiar na neve/ safari na África” o aceite será instantâneo e de muito agrado, mas vamos falar aqui de viagens mais acessíveis e cotidianas, ok?

    Também não estou falando sobre dinheiro. Com o mesmo orçamento, uma família pode fazer diversos tipos de viagens, dentro de suas possibilidades. Não é sobre finanças, e sim sobre a arte de convencer adolescentes a embarcar na sua ideia.

    Expectativa x realidade

    Destino Adolescente
    Hotel fazenda? “Não sou mais criança pra ficar em recreação!”
    (São poucos os adolescentes que curtem a recreação teens – aliás, são raros os hotéis que oferecem alguma atividade para eles).
    Um destino urbano? “Vai ter que andar muito? Pra que entrar em outro museu?”
    Ecoturismo? “Prefiro ficar no meu quarto”.
    Praia? “Mas é longe?”
    E uma viagem de trem? “Nossa, trem?? Que coisa de velho…”

    É, caras mães, a aprovação juvenil chega, mas raramente vem sem antes dar aquela revirada nos olhos, fazer a cara de tédio e dar a famosa respostinha diante de qualquer sugestão nossa. 

    E isso não é maldade e muito menos ingratidão pelas oportunidades que estamos oferecendo. É a maneira deles dizerem: “eu estou crescendo e quero ter voz própria“.

    Além disso, estamos criando filhos da Geração Alpha (nascidos a partir de 2010), que já nasceram em um ambiente digital. Para eles, acostumados com o mundo ‘sob demanda’, a vida acontece na velocidade de um scroll de tela. Diferente de uma viagem de descoberta, onde o choque com o analógico é inevitável.

    Alice Pikurruchas
    Como competir com o analógico se essa geração é de nativos digitais? (Pikurruchas/ Perdizes- SP)

    O importante é não desanimar e saber contornar a situação. Porque no fundo a gente sabe: eles podem até reclamar, mas no dia da viagem estarão lá, ansiosos e perguntando se falta muito pra chegar. Vão  explorar o hotel com olhar curioso e, quem sabe, até provar um prato novo desta vez. Mais uma história para contar.

    Como o destino pode convencer os filhos

    Segundo o estudo global Generation Alpha da Wunderman Thompson, 81% dos pais millennials consultam os filhos antes de fazer qualquer compra, e no turismo isso é ainda mais forte. A Geração Alpha influencia diretamente a escolha do destino. Se eles não “compram” a ideia, a viagem já pode começar um tanto quanto azeda. Ignorar o gosto deles é garantia de um roteiro com ‘ruído’ — e ninguém quer isso nas férias, certo?

    A minha próxima viagem será para a histórica Ouro Preto, em Minas Gerais. Vamos concordar que não é exatamente o destino dos sonhos dos adolescentes e por isso eu confesso que hesitei muito antes de decidir por esse lugar (que faz tempo que quero conhecer). 

    Ano passado fomos para o Beto Carrero junto com uma turma de amigos. E agora, como vamos competir aquela farra toda com o silêncio de uma igreja barroca?

    Beto Carrero Catia Noronha e Familia
    Viajar para o Beto Carrero é fácil, quero ver convencer a visitar uma cidade histórica…

    Eu já sei que eles vão estranhar. Também tenho quase certeza de que vão reclamar das famosas ladeiras da cidade. (Cansa muito, né? Mas, curiosamente, não reclamam de um dia inteiro no Hopi Hari. E podem passar horas passeando com os amigos no shopping sem se cansar).

    Talvez emburrem e se fechem dentro do capuz do moletom na parte mais legal do passeio. Talvez achem as igrejas todas parecidas.

    Viajar com adolescentes
    Imagem criada por IA

    Mas também sei que, no meio do caminho, alguma coisa mágica pode acontecer.

    Pode ser o impacto de entrar em uma igreja barroca pela primeira vez. Ou podem se interessar por uma história curiosa sobre a Inconfidência Mineira. Pode ser o simples prazer de sentar em uma praça, comer um doce de leite mineiro e observar a cidade. Minha filha até hoje não se esquece do sorvete de queijo que ela provou em São Francisco Xavier, há 5 anos. 

    A ‘estratégia de pré-venda’: Como despertar o interesse deles por destinos históricos

    Enquanto isso, aqui em casa, eu já comecei a fazer o que toda mãe viajante aprende a fazer: a pré-venda da viagem.

    – Sabiam que a gente vai fazer um passeio dentro de uma mina de ouro desativada? Será que vocês terão coragem? 

    E esse preparo rendeu o interesse: 

    – Ainda tem ouro lá? 

    – Não, mas tem outros minérios que dá para reconhecer pela cor nas paredes das minas…

    – Eu já vi isso em uma aula de história…

    E mesmo que nada disso aconteça da forma “ideal” que a gente imagina, ainda assim estaremos juntos, vivendo algo fora da rotina.

    Catia Alice e Teodoro
    Mesmo que as fotos não saiam boas, no final, o riso sai e todos se divertem.

    O verdadeiro sentido de viajar com adolescentes

    Por mais que a gente os envolva na organização do roteiro, às vezes precisamos bancar algumas escolhas — mesmo correndo o risco de ouvir um “que saco” no caminho.

    Mas existe algo muito legal nessa fase também.

    Eles já são grandes o suficiente para entender histórias, fazer perguntas, formar opiniões. Já conseguem observar o mundo com mais profundidade. Já conseguem guardar memórias que talvez só façam sentido anos depois.

    Eu vou esperar eles crescerem mais?? Até porque (segura o choro, mãe), daqui a pouquinho quem estará fazendo o nosso papel de companhia serão os amigos, né?

    Talvez essa seja a maior lição de viajar com adolescentes: nem sempre eles demonstram entusiasmo imediato, mas as experiências ficam guardadas

    Aparecida_Catia e familia
    O mau humor vai embora, mas as experiências e memórias ficam. (Aparecida/ SP)

    E, anos depois, muitas dessas viagens voltam em forma de lembranças, histórias e referências que ajudaram a formar quem eles se tornaram. Afinal, continuo batendo na tecla que as viagens são um agente transformador na vida das famílias.

    E agora fica aqui o meu compromisso de contar todos os detalhes dessa nossa viagem à Ouro Preto e as reações dos meus filhos.

    Quem sabe não é um preparatório para outro sonho de consumo meu, uma viagem de trem de Curitiba à Morretes? Será que o humor deles vai permitir 4 horas em um trem?

    Mas me conte, qual a sua dica para prender a atenção dos seus adolescentes em uma viagem?

    Viagens citadas nas fotos desse texto:

    Dubai com crianças

    Gramado e Canela com crianças

    Nosso roteiro de 3 dias em Montevidéu

    PikurruchA’s: um sonho cor de rosa

    Hotel próximo ao Beto Carrero: hospedagem em Penha

    Roteiro de 2 dias em Aparecida

     

  • Férias escolares, crianças felizes e uma ida ao supermercado

    Férias escolares, crianças felizes e uma ida ao supermercado

    Eu estava no supermercado com os dois filhos, que não, não se comportaram como o combinado! Fizeram bagunça, barulho, riram alto pra caramba, correram, mexeram nos produtos, derrubaram os produtos… Tudo isso com milhões de “parem; chega; óóó; aí não; vai se machucar; vai machucar alguém; agora chega!!!!!” da mãe aqui.

    foto: pexels.com

    Em meia hora de mercado, 3 (sim, TRÊS) pessoas me abordaram. Duas foram muito empáticas sorrindo pra mim e falando “férias né? Criança é assim mesmo”. A terceira eu ainda estou tentando definir se foi empatia, solidariedade ou dó ;). Ela falou: “nossa, eu to vendo você com 2 crianças pequenas (tenho certeza que ela ocultou algum adjetivo por educação) e você no mercado sozinha com eles. BOA SORTE”. Eu juro que ela falou isso. Ou seja, imaginem o nível hardcore da zueira no super pra algum desconhecido te desejar boa sorte com os próprios filhos!!

    E o medo de encontrar alguém conhecido? A mãe que não dá conta da bagunça dos filhos de férias no mercado! Hahahha (tô rindo, mas é de nervoso).

    Mas eles estavam tão tão felizes que me contagiou, não consegui cortar o barato! Estávamos no corredor dos iogurtes e eles pareciam ensandecidos! Bora aplicar a disciplina positiva!! Chamei os dois pra perto de mim pra não perder meu lugar na fila do pão (rs). Segurei-os carinhosamente pelo braço, me abaixei e fiquei na altura dos olhos deles. Falei: “gente, eu entendo que vocês querem extravasar, mas essa bagunça não tá legal….”. Olhei dentro dos olhos do Teodoro, o líder nato da bagunça, que fazia “sim” com a cabeça e ao mesmo tempo um esforço enorme pra não rir. Sabe quando a pessoa começa rindo com os olhos e a risada vai tomando conta de todo o rosto até chegar na boca e fazer um biquinho e soltar aquele barulhão?

    HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAH

    Foi assim que muito espontaneamente nós os três caímos na gargalhada!!

    – “Você também tá rindo, mãe!” disse a Alice toda alegre pra se livrar da culpa!

    Não me aguentei, caí na risada com esses dois! Porque por mais cansativo que seja ficar o tempo integral com as crianças nas férias (além de cuidar da rotina de casa), eu estou me divertindo muito com eles! É muito gostoso essa cumplicidade diária, essas risadas fora de hora, esse “deixa pra lá, estão de férias”.

    Tudo bem que minha bateria está arriando…Fico bem mais exausta do que o normal, a bagunça em casa  está fora dos limites e estou cheia de pendências. Mas feliz e plena com a maternidade…Feliz de estar fazendo meus filhos felizes com coisas simples e cotidianas da vida como uma simples ida ao supermercado!

    Tem um trecho do livro “A coragem de ser imperfeito“, de Brené Brown, que diz assim: “A alegria nos visita em momentos comuns. Não corra o risco de deixar a alegria passar desapercebida mantendo-se ocupado demais perseguindo o extraordinário”. Se encaixa perfeitamente nesse nosso dia a dia mega agitado como mãe, não é?

    Leia também:

    Mindfulness: saiba como a meditação pode ajudar as mães (eu fiz!)

    Reflexões: a alegria nos visita em momentos comuns

    A tentativa de uma mãe em querer segurar o tempo (sobre a brevidade)

     

  • Um livro, um filho imaginário e hoje, 17 anos depois

    Um livro, um filho imaginário e hoje, 17 anos depois

    Era o ano de 2001. Eu, recém formada em jornalismo e atuando na área havia um tempinho – e já produzindo conteúdo para a internet. Trabalhava como redatora freelancer no site Clubinho Net, um site infantil criado para os filhos dos assinantes da NET.

    Eu tinha 23 anos e não tinha namorado, filhos e muito menos amigas com filhos. Nem pensava naquela época em formar uma família, eu estava curtindo outro momento. Fase de trabalho, bastante trabalho e amigos.

    Eu amava esse meu trabalho voltado para as crianças (tanto que fiquei até o fim da vida do Clubinho). Entre as diversas áreas que escrevia para o site, uma delas era sobre as novidades literárias para os pequenos. Dicas de livros! As assessorias de imprensa das editoras me enviavam alguns exemplares para eu conhecer, resenhar etc.

    Todos os livros infantis que eu recebia das editoras (lia todos!) eram levados mais tarde para doação. Só que um deles, e APENAS um, eu me apeguei. Sem explicação nenhuma, não tive coragem de doar.

    Era o livro “O ABZ do Ziraldo”, da Melhoramentos. É um livro com textos, poemas e ilustrações do Ziraldo que gira em torno das letras. Cada letra é um capítulo. Para cada letra do alfabeto, um texto. Esse livro é tão legal, tão completo, tão poético, lúdico e colorido, que resolvi guardar. Guardar pros meus futuros filhos que sabe-se lá quando eu os teria. Pensei: “Ah vou guardar!! Vai que um dia eu tenha filhos!” (Até hoje eu não entendo, porque eu realmente estava muito longe de alguma possibilidade de ter filhos na época hahah)

    Mudei de casa algumas vezes. E o livro ali, sempre separado para o meu futuro filho. Não tenho apego material, muitas vezes gosto de fazer a rapa aqui em casa e doar tudo, me desfazer do velho, abrir espaço. Livros? Eu conto em 1 mão os livros que tenho. Passo tudo pra frente. Mas esse livro nunca.

    Hoje eu estou beirando os 40 anos e tenho 2 lindos filhos: 6 e 4 anos. E 17 anos depois de receber esse livro, finalmente o dia que eu tanto profetizei chegou!

    O mais velho, o Teodoro, no primeiro ano do ensino fundamental, em plena fase de alfabetização, conheceu “O ABZ do Ziraldo” e reconheceu as letras, se interessou pelos poemas que ali estavam. Quantas vezes eu folheei esse livro imaginando esse dia, o dia que eu me sentaria ao lado do meu filho (até então imaginário) contando uma historinha sobre cada letrinha. Foi realmente muito emocionante o dia que sentei com os dois filhos e li as poesias do Ziraldo para eles!

    Voem, meus filhos, voem! O processo de alfabetização é a coisa mais linda de se ver numa criança. A descoberta da junção das letras, o som das sílabas, a alegria de saber que conseguiu ler uma palavra! É um universo que está à tua espera!!! Saboreiem cada palavrinha nova que aprender porque elas são mágicas!

    E você, já guardou algum objeto para mostrar para os seus filhos antes mesmo de tê-los?

    Leia também:

    Como escolher o livro ideal para bebês

    Como montar um cantinho da leitura na sua casa

     

  • A tentativa de uma mãe em querer segurar o tempo (sobre a brevidade)

    A tentativa de uma mãe em querer segurar o tempo (sobre a brevidade)

    Sabe aquela vez que você estava no supermercado no meio do terrible two do seu filho, te deixando maluca com tanta birra e de repente aparece uma pessoa desconhecida e fala: “aproveitava que passa rápido”.

    Pois é….passou! Dei um suspiro e o Teodoro completará 7 anos em 2018. SE-TE! Meu Deus, os primeiros anos de maternidade foram realmente muito difíceis, principalmente por ter dois filhos com apenas 2 anos de diferença. Mas de repente o tempo começou a voar e escapar das minhas mãos como se fosse areia! Daqui a pouco, sei lá, vou dar outro suspiro e ele estará trabalhando, saindo de casa (pausa para engolir seco).

    Ontem estava cantando para os dois dormirem, uma das poucas (poucas não, raríssimas) canções que eu sei de cor: Aquarela, do Toquinho, em parceria com Vinicius de Moraes. Gosto dessa música porque ela é longa e dá pra viajar muito na letra dela. Enfim, estava cantando e, já com os dois adormecidos, cantei os últimos versos e inevitavelmente lágrimas rolaram dos meus olhos…:

    Vamos todos
    Numa linda passarela
    De uma aquarela que um dia, enfim
    Descolorirá

    (ops, chorei um pouquinho de novo)

    Eu não sei se existe uma análise oficial da letra, mas na minha interpretação levando em consideração toda a letra, o “descolorirá” pode significar o fim da infância, mas já li que tem a ver com a brevidade da vida.

    Por um lado, é bom ter essa percepção assustada do tempo. Nos faz querer ficar mais tempo abraçados, dormindo junto, enchendo de beijos, fazendo cafuné, beijinho no dodói, pegando no colo. Todos os dias, quando os dois acordam, pego-os no colo e dou aquele abraço apertado, como em uma tentativa desesperada de uma mãe que quer segurar o tempo. Só solto quando eles se afastam.

    A Alice está com 4 anos e ainda tem que um “quê” de bebezinha da mamãe, cheia de dengos, chorinhos mimados e com todos dentes de leite (rs quem tem um filho banguela sabe o que significa cada dente caído nessa corrida do tempo). O Teodoro tem seus momentos de dengo, pede pra dormir com a gente (e dorme), mas já tem uma certa vergoinha quando tasco-lhe um beijo na bochecha na frente dos amigos da escola!

    Mas essa é a doideira da maternidade né? Como diz o Toquinho:

    “E o futuro é uma astronave
    Que tentamos pilotar
    Não tem tempo, nem piedade
    Nem tem hora de chegar

    Sem pedir licença
    Muda a nossa vida
    E depois convida
    A rir ou chorar”

    .

  • Reflexões: A alegria nos visita em momentos comuns

    Reflexões: A alegria nos visita em momentos comuns

    Parar para valorizar os pequenos detalhes da vida podem te deixar mais alegres do que grandes acontecimentos (esses que quase nunca chegam!)

    hoje sera um dia bom

    No meu perfil do Instagram soltei lá no stories o trecho de um livro que estou lendo “A coragem de ser imperfeito”, de Brené Brown. Destaquei a parte que diz: “A alegria nos visita em momentos comuns. Não corra o risco de deixar a alegria passar desapercebida mantendo-se ocupado demais perseguindo o extraordinário”.

    a coragem de ser imperfeito

    Andei refletindo tanto sobre essa frase e notei que esses momentos pequenos de alegrias estavam passando desapercebidos por mim. Tem uma frase atribuída a Mahatma Gandhi que gosto muito:

    “Não existe caminho para a felicidade… A felicidade é o caminho”

    Foi no instagram também que eu contei que finalmente colocamos uma mesa de refeições na sala. Até então, comíamos cada um em uma mesinha de apoio sentados no sofá, cada um com seu horário, de acordo com sua correria. Começou o ano e quis fazer diferente: fazer as refeições em família, com todos sentados na mesa! Não tenho muito espaço na sala e por isso quebrei a cabeça para ajeitar a configuração dos móveis. Enfim, aperta daqui, aperta dali e coube uma mesa redonda no canto (a mesa redonda ocupa menos espaço).

    Finalmente, uma mesa para tomarmos café da manhã, almoçar e jantar!
    Finalmente, uma mesa para tomarmos café da manhã, almoçar e jantar!

    Tá, mas o que o título, o livro e uma mesa têm a ver um com o outro?

    É que neste final de semana fizemos o nosso primeiro café da manhã em família… Até registrei (#aloucadafoto). Uma cena tão cotidiana, tão simples, mas que me deixou tão grata e alegre! Tão bom notar a felicidades nas pequenas coisas!

    Essa nova rotina vem com algumas regrinhas: sem TV, sem tablet, sem celular. É um momento nosso, um momento para a gente desconectar do mundo e estarmos presentes no aqui e agora. Prestar atenção no que estamos vivendo no momento e aceitar as emoções fluírem (O Mindfulness ajuda bastante na busca pela atenção no momento presente. Leiam o post que fiz sobre Mindfulness)

    Dá para sentir tudo isso com o celular do lado? Não mesmo!

    E o livro “A coragem de ser imperfeito” diz que conseguimos nos permitir ser alegres quando aceitamos a nossa imperfeição, a nossa vulnerabilidade diante dos problemas. Um tapa na cara, né?

    Você já parou pra pensar nas pequenas coisas que te deixam alegre? Nem tudo nem ninguém precisa ser perfeito para nos dar alegria, já pensou nisso? Que tal dar mais valor às cenas mais cotidianas da vida?

    Leia também:

    Mindulfness: saiba como a meditação pode ajudar as mães

    Reflexões: eu sou feliz e sei!

  • No ciclo da vida, a infância e a velhice caminham lado a lado

    No ciclo da vida, a infância e a velhice caminham lado a lado

    ciclo da vida
    Imagem: pexels.com

    Minha mãe virou mãe de novo. Não, minha mãe não engravidou aos 63 anos. Agora ela é mãe da mãe dela, a minha avó.

    Nos últimos anos, a nossa família teve (está tendo) a felicidade de conviver muito, mas muito próxima mesmo. Praticamente todos os dias minha irmã, eu e nossos filhos almoçamos na casa da minha mãe e avó, que moram juntas – somente as duas – desde que meu avô nos deixou, há quase dez anos. Foi na casa da minha mãe que descobri minha primeira gravidez. Foi lá também que meus filhos saborearam a primeira papinha da vida. Foi na casa da nossa mãe que minha sobrinha passava grande parte do dia enquanto minha irmã saía para trabalhar, antes de entrar na escolinha.

    Esse convívio não só fortalece os nossos laços familiares como faz a gente perceber a loucura que é o ciclo da vida. Minha mãe em especial, ao mesmo tempo que acompanha bem de pertinho todos os netos se desenvolvendo e crescendo, desde o nascimento, passando pelas primeiras palavras, primeiros passos (e tombos), aperfeiçoamento da coordenação motora, desenvolvimento cognitivo etc etc, ela vê a sua mãe fazendo o “caminho inverso”.

    Explico melhor: ela vê um bebê crescer e se desenvolver ao mesmo tempo que vê uma idosa voltando a ser bebê. No último ano a minha avó, agora com 91 anos, teve um aceleramento considerável no envelhecimento.

    Se por um lado minha mãe me ajudava a ensinar um dos netos a sair das fraldas e a usar o penico, por outro lado ela notava que já estava na hora de adotar fraldas geriátricas na minha avó, dado o número frequente de escapes.

    No ano passado a minha avó fazia diariamente as suas cruzadinhas – excelente para o exercício cerebral. De 1 ano pra cá ela parou com as cruzadinhas. Suas mãos não aguentavam mais segurar o lápis e coordená-los. Exatamente na mesma época que meu filho escrevia por todos os papéis que via pela frente as letrinhas do seu nome: TEODORO. A caligrafia enfraquecida parecia ser a mesma da bisa.

    É como se as crianças estivessem em uma ponta do aprender e os idosos na extremidade oposta – a do desaprender.

    Sabe quando você ensina a criança os passos para determinada ação bem simples? Por exemplo, tomando um copo de água. Mãe, quero água. Filha, seu copo está em cima daquela mesa. Pegue o banquinho e alcance o copo. Isso. Agora depois de tomar, leve o copo até a cozinha e deixe em cima da pia. Em determinado momento, minha mãe teve que ditar as ações da minha avó: mãe, agora que você terminou de almoçar, sente-se um pouco na poltrona. Antes de deitar-se, vá ao banheiro. O banheiro é ali. Isso. Agora você pode ir para o quarto.

    Há pouco menos de 1 mês, minha avó parou de comer. Aí minha irmã deu uma brilhante ideia: em vez de oferecer a mesma comida que a gente come, fazer uma papinha para a minha avó. Isso mesmo, papinha, a mesma que nossas crianças comem na introdução alimentar: mandioquinha, batata, cenoura, carninha, tudo muito bem cozido, com macarrãozinho. E não é que deu certo? Enquanto isso, a odontopediatra recomendou que eu servisse pedaços maiores de carne para a minha caçula e equilibrasse sua alimentação com alimentos mais duros, como maçã, por exemplo.

    Minha avó já começa a dar indícios que logo mais precisará de ajuda para comer, para levar o talher à boca. Enquanto isso, cada vez que meus filhos (5 e 3 anos) pedem ajuda para comer, respondo que já são grandes e que sabem fazer isso muito bem sozinhos.

    Minha filha caçula, do início do ano pra cá, desabrochou. Ela era tímida, quietinha, e agora parece que engoliu um rádio, de tanto que fala e canta. A menina não para. Já a minha avó… quase não fala mais nada….

    A casa da minha mãe é tão “kids friendly” quanto “old”friendly: tem lenço umedecido, muuuuitos brinquedos espalhados pela casa, redutor de assento e banheirinha. E também tem assento de vaso alto, barras de segurança no boxe, andador e cadeira para idoso tomar banho.

    Não tem como fugir desse paralelo entre a infância e a velhice. Ambos caminham lado a lado, só que em direções opostas. Nossas crianças criam autonomia exatamente no mesmo passo que minha avó fica cada dia mais dependente. Dia após dia a gente tem a oportunidade de observar isso dentro da casa da minha mãe.

    E que maravilha poder ensinar todos os dias aos meus filhos a respeitarem os mais velhos (ops, os beeem mais velhinhos). A lenta caminhada da minha avó pelo estreito corredor da sala até a cozinha contrasta com a ansiedade inata dos pequenos de 3 e 5 anos de quererem chegar a algum lugar. “Epa, pode esperar… deixa a bisa passar e depois você”.

    Mas também é triste ver uma pessoa se aproximando da linha de chegada da vida. Um dia ela foi forte como nós, carregou três filhos no colo, cuidava da casa, dividia-se entre a maternidade, o casamento e a profissão de secretária executiva.

    Ao mesmo tempo, puxa, que privilégio vê-la atravessar essa jornada de modo pleno, sem doenças ou acidentes… é só a bateria que está arriando mesmo (apesar de ter enfrentado um câncer de mama depois dos 80 anos).

    O ciclo da vida está aí, diante dos nossos olhos. E o que podemos fazer com ele? Aprender! Tenho certeza que essa interação quase que diária entre gerações tão diferentes só traz benefícios para nós! Para todos nós!

  • Crianças entre 5 e 6 anos: quem apertou o botão de acelerar?

    Crianças entre 5 e 6 anos: quem apertou o botão de acelerar?

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    Terrible Two? Deixa os seis chegarem para você ver!

    Dia desses, na consulta pediátrica dos filhos, brinquei que muitas vezes meu filho mais velho (5 anos), parecia estar na pré-adolescência*.

    *A Dra Adriana Foz, neuropsicóloga e diretora técnica da Unidade Integrativa Santa Mônica, me corrigiu. “Poderíamos brincar com a palavra ‘criancência’”, afirma. Ela ainda diz que nesta idade, “são crianças ávidas por estímulos, aprendem muito bem conteúdos concretos e fazem amizades com facilidade. Necessitam de limites claros e coerentes. O exemplo em casa e nas relações familiares é muito importante”.

    Em outras palavras: meu filho está terrível!

    Ao mesmo passo que tem um ótimo desenvolvimento nas habilidades e coordenação motora, aumenta o vocabulário repentinamente, elabora histórias ricas em detalhes, é mais compreensível, já consegue se colocar no lugar do outro, consegue identificar e nomear sentimentos, tem umas tiradas incríveis (racho o bico com ele), também tem uma parte mais difícil que tem me deixado impaciente muitas vezes:

    – Questiona praticamente tooooodos os “nãos” que recebe.

    – Já deu muitas respostas irônicas. Com 5 anos. Algumas são umas tiradas bem engraçadas. Um dia perguntou para a amiga o seu nome completo. Ao responder um nome compridíssimo, tipo “Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga”, eis que ele manda: nossa, que nome curto hein? Hahaha Mas outras ironias e tiradinhas são fora de hora – e são essas que me deixa malucaaaa (rs).

    – Está desafiador. Em algumas vezes sabe que está errado, mas continua fazendo só para ver até onde vou. E quando dá aquele sorrisinho sarcástico de canto de boca mesmo depois de levar uma chamada?

    – Quando eu peço para ele fazer algo, ele tenta achar uma forma de fazer como se a ideia fosse dele ou ainda na hora que ele quiser. Como a hora de tomar banho. “Tá, já vou”. “É agora, filho!”. “Tá, tô indo”. “Filho, para a gente não se atrasar, você precisa entrar no banho agora”. “Tá, já vou”. Ele vai tomar banho, ele vai fazer o que estou pedindo. Mas na hora que ele decidir, nem que isso seja no segundo seguinte.

    – Está boca suja. Mas não é beeeem “boca suja”… Ele não fala palavrão de adulto e sabe distinguir um palavrão de verdade. Mas descobriu que falar “bunda, cocozento, bunda fedida, peido na cara” é engraçado. E vou te falar… dependendo do contexto realmente é engraçado, não vou negar hihih. Mas ao mesmo tempo não posso deixar o menino falando tanta besteira, né? Tudo tem hora e local certo…

    Quando participei do Descomplica Mãe, evento materno que aconteceu em outubro em São Paulo, a psicóloga e consultora em educação Rosely Sayão, uma das palestrantes do evento, deu algumas dicas sobre palavrões e crianças. Segundo a psicóloga, as crianças – assim como nós – precisam de palavras para desabafar, para extravasar. Então a gente pode ensinar algumas palavras e termos que possam substituir um palavrão. Ela contou que em uma escola que estava prestando consultoria, uma semana depois de dar essa dica, estavam todos saindo da classe xingando o outro de “jacaré”, “boina”, “chapéu” rs. Bastou um adulto para fazer essa condução do problema.

    Voltando ao “terrible 5” (rs):

    – Contesta 98,9% das minhas decisões. “Mas, mãe” é a frase que mais ouço durante o dia. Quando percebo, estou discutindo há 10 minutos o motivo pelo qual não o deixo ver determinado desenho. Na verdade, tenho o maior orgulho dele questionar. É para isso que nós o educamos, para ser uma criança questionadora e não simplesmente obediente. Obedecer por obedecer não faz o menor sentido para mim.

    Mas a teoria é diferente da prática, né? Faço questão de explicar, ensinar e contextualizar, mas, sinceramente, às vezes não tem como escapar do “não porque não e fim de papo”. E não é que dia desses, diante do meu “porque não”, ele me solta “porque não não é resposta”. E o queixo caído da mãe? * Certeza que se minha mãe tivesse presenciado essa cena, ela teria dado uma risadinha de vingança.

    Tudo isso sem contar com a energia física que parece um terremoto. Gente, sério, eu vou fazer um dia um filminho de como é a chegada dos meus filhos depois da escola. É um salve-se quem puder, uma gritaria… parece recreio de escola com 200 crianças!

    Sei que todas essas características fazem parte do desenvolvimento de uma criança nesta idade. Mas eu não sei quem apertou o botão FF do controle remoto… em que momento que essas crianças dispararam e começaram a crescer em uma velocidade absurda?

    Aqui em casa, aquela máxima que “maternidade é igual videogame, a próxima fase será sempre mais difícil” tem se mostrado muito verdadeira rs

    Como está sendo essa fase na sua casa? Confesso que às vezes não sei como agir, mas acho que o mais louco na maternidade é justamente você aprender a ser mãe no mesmo ritmo que seus filhos se desenvolvem.

    Quando algo não vai bem e sorrateiramente a culpa materna chega perto de mim, eu me acolho. E nessas horas me lembro que tudo é novo pra mim também, que eu também estou aprendendo, que eu também estou passando de fases. Eu nunca tinha sido mãe do Teodoro de 5 anos e mãe da Alice de 3 anos.

    (neste momento estou me imaginando daqui uns 3 anos lendo esse texto…. O que será que terá mudado na minha forma de pensar e maternar?)

  • Como consegui parar de fumar

    Como consegui parar de fumar

    Photo credit: Pachakutik via Visual hunt / CC BY-NC-ND
    Photo credit: Pachakutik via Visual hunt / CC BY-NC-ND

    Dia 31 de maio é o Dia Mundial sem Tabaco e dia 29 de agosto é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

    Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos 25 anos a porcentagem de fumantes diários no país caiu de 29% para 12% entre homens e de 19% para 8% entre mulheres (dados de 2017). E posso dizer com o maior orgulho que faço parte dessa estatística!

    Comecei a fumar aos 16 anos. Quando percebi, fumava um maço inteiro (do Marlboro vermelho) por dia. Nas noites que eu saía para beber com os amigos, fumava fácil mais de um maço, totalizando 2 maços durante o dia todo. O cigarro fazia parte da minha rotina desde a hora que eu acordava. Podia ser a hora que fosse, mas meu dia só começava depois de uma xícara de café e um cigarro.

    Mas também na minha época de fumante era menos restritivo: podia-se fumar em restaurantes, bares, locais fechados, em qualquer lugar! Para ter uma ideia, eu trabalhava em uma assessoria de imprensa cuja dona também era fumante. Naquele escritório era super normal você ter um cinzeiro na sua mesa.

    Então eu fumava a hora que eu bem entendesse. Na minha mesa… Do trabalho! Que época mais egocêntrica que nós, os fumantes, vivemos, né, sem se preocupar com o vizinho… Ainda bem que tudo mudou. Já viajei na época que era permitido fumar dentro do avião! Não consigo mais imaginar como seria isso!!

    Tentei parar algumas vezes. Poucas vezes. Até com aqueles adesivos de nicotina já tentei. Mas não passava de poucos dias até eu acender um cigarro. Casei e depois veio a vontade de engravidar.

    Dizia para o meu marido que quando eu engravidasse iria parar de fumar pra valer! Tentei engravidar por uns 6 meses e nada. Eu já tinha lido que o tabagismo poderia afetar a fertilidade, mas não conseguia me livrar daquele vício por nada! E também morria de medo de engravidar e não conseguir parar de fumar.

    A Gravidez

    Eis que a menstruação atrasa e lá fui eu comprar o exame de farmácia para detectar a gravidez. Nunca, nunca vou me esquecer desse dia! Voltei da farmácia, sentei em frente ao computador, acendi um cigarro e falei: esse pode ser o último cigarro que vou fumar, tudo depende do resultado desse exame.

    Dei longas tragadas, curtindo mesmo aquele momento… o tal do raro prazer, propaganda do antigo Carlton rs. Enfim, apaguei a bituca, fui pro banheiro, fiz o exame e … POSITIVO!!! Voltei para a sala, peguei o maço de cigarro e joguei no lixo.

    "Voltei da farmácia, acendi um cigarro e falei: esse pode ser o último cigarro que vou fumar, tudo depende do resultado desse exame". Photo credit: massimo ankor via Visualhunt.com / CC BY-NC
    “Voltei da farmácia, acendi um cigarro e falei: esse pode ser o último cigarro que vou fumar, tudo depende do resultado desse exame”. Photo credit: massimo ankor via Visualhunt.com / CC BY-NC

    Como eu disse lá em cima, eu já tinha tentado parar de fumar algumas vezes, mas dessa vez me apeguei na gravidez e foi mais fácil do que eu imaginava! Finalmente eu consegui largar o cigarro após 16 anos fumando!

    A mudança de hábito me ajudou bastante também! Como estava grávida, não tomava mais bebida alcoólica. No início parei de tomar café e troquei por suco de laranja. Depois voltei com o café descafeínado e foi tudo bem.

    Aí comecei a comer muito chocolate durante toda a gravidez! Era doce que não acabava mais (mas eu fazia o pré-natal direitinho, então estava acompanhando a taxa de açúcar no sangue).

    Eu ainda sentia vontade de fumar, principalmente nos momentos que passava por alguma tensão. Mas eu consegui ser firme, sempre pensando no meu bebê. Lembro muito de um amigo que havia parado de fumar, que disse que a vontade nunca vai embora, ela sempre vai aparecer. O que vai mudar é que você vai conseguir se controlar melhor. Mesmo depois que meu filho nasceu, eu dizia para mim mesma que se eu quisesse muito fumar, tudo aquilo era temporário… eu poderia voltar a fumar se eu quisesse, só tinha que ser depois de desmamar.

    Bem, meu filho parou de mamar no peito depois de 1 ano. Ou seja, eu já estava há 1 ano e 9 meses sem fumar. Minha opinião sobre voltar a fumar tinha mudado… Eu já tinha passado tanto tempo sem dar um trago, não podia voltar atrás. Mas ainda sentia vontade de fumar. Quando voltei a tomar cerveja, então…minha nossa!

    A Recaída

    Foi então que no carnaval, quando o Teodoro tinha 14 meses (e eu 23 meses longe do cigarro), conseguimos um “vale folia”. Deixamos meu filho com a minha sogra no final de semana e fomos pular o carnaval nos bloquinhos de São Paulo. Programa de adultos! Bebemos bastante e me bateu uma vontade incontrolável de fumar. Pedi um cigarro. Sou bem grandinha, não admiti que alguém me negasse um cigarro, né? Sabia muito bem o que estava fazendo.

    Nossa, percebi o quão forte é um cigarro. Dei alguns tragos e fiquei super tonta, parecia que estava me dando barato! E não foi viagem minha, não! Li que a nicotina atua no sistema nervoso central da mesma forma que a cocaína, heroína e álcool, porém de maneira mais rápida, chegando ao cérebro entre sete e 19 segundos

    Acho que nem consegui fumar o cigarro inteiro. Mas aí sabe o que aconteceu? Bateu novamente a vontade incontrolável de fumar. Falei: quer saber? Não vou ficar filando cigarro! Vou comprar um maço!

    Foram muitas horas de carnaval, muitas cervejas e quase um maço in-tei-ro em uma tarde. Nem preciso dizer como foi minha ressaca, né? Parecia que eu ia morrer!

    No dia seguinte, a princípio, fiquei chateada por ter quebrado o meu jejum de quase 2 anos sem fumar. Mas eu sabia também que havia sido um impulso de carnaval. O comportamento que resultou naquela vontade incontrolável de fumar não caberia na minha rotina do dia a dia. E assim foi, não pensei mais em cigarro.

    Campanha contra o fumo: "Your body is your home. Don`t smoke/ Seu corpo é sua casa. Não fume".
    Campanha contra o fumo: “Your body is your home. Don`t smoke/ Seu corpo é sua casa. Não fume”.

    Tratamentos

    Pouquíssimo tempo depois do carnaval (e da minha recaída), engravidei novamente. E desta vez foi pela Alice que não cheguei mais perto de um cigarro. Não vou negar que muito de vez em quando dá vontade… Mas do mesmo jeito que a vontade vem, vai embora rápido! Mesmo com as cervejinhas a mais (rs). Uma coisa que eu não sabia é que a dependência química causada pela nicotina do cigarro é reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde desde 1997.

    Jaqueline Xavier, gerente de gestão em saúde da Vitallis Sanitas, operadora de planos de saúde no Brasil, explica que em muitos casos, o tabagista precisa de apoio para largar o vício. “O próprio Sistema Único de Saúde (SUS) oferece desde 2004 um tratamento gratuito nas Unidades Básicas de saúde e nos hospitais para quem deseja parar de fumar e não consegue”, completa.

    O tratamento pode passar por grupos de apoio com ajuda psicológica aliado à terapia medicamentosa. A avaliação médica é indispensável para indicar o tratamento ideal personalizado a cada paciente.

    Tenho muito orgulho de ser ex-fumante, reconheço o meu esforço e serei eternamente grata aos meus filhos Teodoro e Alice, pois por eles consegui largar o vício e manter-me firme nesta decisão. Mas não julgo quem não conseguiu parar de fumar… Sei que é extremamente difícil. É uma droga, né?Mas vale a pena tentar, seja quantas vezes for! Quer motivos? O pneumologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Dr. Waldomiro José, explica. “A cada dia sem fumar, diminui o risco de câncer e doenças cardíacas, a respiração fica mais fácil, há melhora no desempenho físico, mental e sexual. Além disso, as pessoas que convivem com o fumante também são poupadas das toxinas, pois não podemos esquecer que os fumantes prejudicam a si mesmos e ao outro, provocando doenças pelo tabagismo passivo. Por último, ainda há benefício econômico, já que não gastarão mais com maços de cigarro”, finaliza.

    P.S. Já li que toda vontade que você tem (de tudo: cigarro, chocolate, compras compulsivas, mensagens de texto alterada rs) duram apenas 5 minutos. Então, na hora que bater aquela vontade de fazer besteira…please…espere apenas 5 minutos que passa!

    Mais de 100 razões para parar de fumar (extraído INCA – Instituto Nacional do Câncer):

    Ao parar de fumar os benefícios à saúde são quase imediatos, conforme demonstrado a seguir:

    • Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.
    • Após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue.
    • Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
    • Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor.
    • Após 2 dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta melhor a comida.
    • Após 3 semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora.
    • Após 1 ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade.
    • Após 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram