Tag: maternidade

  • Férias escolares, crianças felizes e uma ida ao supermercado

    Férias escolares, crianças felizes e uma ida ao supermercado

    Eu estava no supermercado com os dois filhos, que não, não se comportaram como o combinado! Fizeram bagunça, barulho, riram alto pra caramba, correram, mexeram nos produtos, derrubaram os produtos… Tudo isso com milhões de “parem; chega; óóó; aí não; vai se machucar; vai machucar alguém; agora chega!!!!!” da mãe aqui.

    foto: pexels.com

    Em meia hora de mercado, 3 (sim, TRÊS) pessoas me abordaram. Duas foram muito empáticas sorrindo pra mim e falando “férias né? Criança é assim mesmo”. A terceira eu ainda estou tentando definir se foi empatia, solidariedade ou dó ;). Ela falou: “nossa, eu to vendo você com 2 crianças pequenas (tenho certeza que ela ocultou algum adjetivo por educação) e você no mercado sozinha com eles. BOA SORTE”. Eu juro que ela falou isso. Ou seja, imaginem o nível hardcore da zueira no super pra algum desconhecido te desejar boa sorte com os próprios filhos!!

    E o medo de encontrar alguém conhecido? A mãe que não dá conta da bagunça dos filhos de férias no mercado! Hahahha (tô rindo, mas é de nervoso).

    Mas eles estavam tão tão felizes que me contagiou, não consegui cortar o barato! Estávamos no corredor dos iogurtes e eles pareciam ensandecidos! Bora aplicar a disciplina positiva!! Chamei os dois pra perto de mim pra não perder meu lugar na fila do pão (rs). Segurei-os carinhosamente pelo braço, me abaixei e fiquei na altura dos olhos deles. Falei: “gente, eu entendo que vocês querem extravasar, mas essa bagunça não tá legal….”. Olhei dentro dos olhos do Teodoro, o líder nato da bagunça, que fazia “sim” com a cabeça e ao mesmo tempo um esforço enorme pra não rir. Sabe quando a pessoa começa rindo com os olhos e a risada vai tomando conta de todo o rosto até chegar na boca e fazer um biquinho e soltar aquele barulhão?

    HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAH

    Foi assim que muito espontaneamente nós os três caímos na gargalhada!!

    – “Você também tá rindo, mãe!” disse a Alice toda alegre pra se livrar da culpa!

    Não me aguentei, caí na risada com esses dois! Porque por mais cansativo que seja ficar o tempo integral com as crianças nas férias (além de cuidar da rotina de casa), eu estou me divertindo muito com eles! É muito gostoso essa cumplicidade diária, essas risadas fora de hora, esse “deixa pra lá, estão de férias”.

    Tudo bem que minha bateria está arriando…Fico bem mais exausta do que o normal, a bagunça em casa  está fora dos limites e estou cheia de pendências. Mas feliz e plena com a maternidade…Feliz de estar fazendo meus filhos felizes com coisas simples e cotidianas da vida como uma simples ida ao supermercado!

    Tem um trecho do livro “A coragem de ser imperfeito“, de Brené Brown, que diz assim: “A alegria nos visita em momentos comuns. Não corra o risco de deixar a alegria passar desapercebida mantendo-se ocupado demais perseguindo o extraordinário”. Se encaixa perfeitamente nesse nosso dia a dia mega agitado como mãe, não é?

    Leia também:

    Mindfulness: saiba como a meditação pode ajudar as mães (eu fiz!)

    Reflexões: a alegria nos visita em momentos comuns

    A tentativa de uma mãe em querer segurar o tempo (sobre a brevidade)

     

  • Um livro, um filho imaginário e hoje, 17 anos depois

    Um livro, um filho imaginário e hoje, 17 anos depois

    Era o ano de 2001. Eu, recém formada em jornalismo e atuando na área havia um tempinho – e já produzindo conteúdo para a internet. Trabalhava como redatora freelancer no site Clubinho Net, um site infantil criado para os filhos dos assinantes da NET.

    Eu tinha 23 anos e não tinha namorado, filhos e muito menos amigas com filhos. Nem pensava naquela época em formar uma família, eu estava curtindo outro momento. Fase de trabalho, bastante trabalho e amigos.

    Eu amava esse meu trabalho voltado para as crianças (tanto que fiquei até o fim da vida do Clubinho). Entre as diversas áreas que escrevia para o site, uma delas era sobre as novidades literárias para os pequenos. Dicas de livros! As assessorias de imprensa das editoras me enviavam alguns exemplares para eu conhecer, resenhar etc.

    Todos os livros infantis que eu recebia das editoras (lia todos!) eram levados mais tarde para doação. Só que um deles, e APENAS um, eu me apeguei. Sem explicação nenhuma, não tive coragem de doar.

    Era o livro “O ABZ do Ziraldo”, da Melhoramentos. É um livro com textos, poemas e ilustrações do Ziraldo que gira em torno das letras. Cada letra é um capítulo. Para cada letra do alfabeto, um texto. Esse livro é tão legal, tão completo, tão poético, lúdico e colorido, que resolvi guardar. Guardar pros meus futuros filhos que sabe-se lá quando eu os teria. Pensei: “Ah vou guardar!! Vai que um dia eu tenha filhos!” (Até hoje eu não entendo, porque eu realmente estava muito longe de alguma possibilidade de ter filhos na época hahah)

    Mudei de casa algumas vezes. E o livro ali, sempre separado para o meu futuro filho. Não tenho apego material, muitas vezes gosto de fazer a rapa aqui em casa e doar tudo, me desfazer do velho, abrir espaço. Livros? Eu conto em 1 mão os livros que tenho. Passo tudo pra frente. Mas esse livro nunca.

    Hoje eu estou beirando os 40 anos e tenho 2 lindos filhos: 6 e 4 anos. E 17 anos depois de receber esse livro, finalmente o dia que eu tanto profetizei chegou!

    O mais velho, o Teodoro, no primeiro ano do ensino fundamental, em plena fase de alfabetização, conheceu “O ABZ do Ziraldo” e reconheceu as letras, se interessou pelos poemas que ali estavam. Quantas vezes eu folheei esse livro imaginando esse dia, o dia que eu me sentaria ao lado do meu filho (até então imaginário) contando uma historinha sobre cada letrinha. Foi realmente muito emocionante o dia que sentei com os dois filhos e li as poesias do Ziraldo para eles!

    Voem, meus filhos, voem! O processo de alfabetização é a coisa mais linda de se ver numa criança. A descoberta da junção das letras, o som das sílabas, a alegria de saber que conseguiu ler uma palavra! É um universo que está à tua espera!!! Saboreiem cada palavrinha nova que aprender porque elas são mágicas!

    E você, já guardou algum objeto para mostrar para os seus filhos antes mesmo de tê-los?

    Leia também:

    Como escolher o livro ideal para bebês

    Como montar um cantinho da leitura na sua casa

     

  • A tentativa de uma mãe em querer segurar o tempo (sobre a brevidade)

    A tentativa de uma mãe em querer segurar o tempo (sobre a brevidade)

    Sabe aquela vez que você estava no supermercado no meio do terrible two do seu filho, te deixando maluca com tanta birra e de repente aparece uma pessoa desconhecida e fala: “aproveitava que passa rápido”.

    Pois é….passou! Dei um suspiro e o Teodoro completará 7 anos em 2018. SE-TE! Meu Deus, os primeiros anos de maternidade foram realmente muito difíceis, principalmente por ter dois filhos com apenas 2 anos de diferença. Mas de repente o tempo começou a voar e escapar das minhas mãos como se fosse areia! Daqui a pouco, sei lá, vou dar outro suspiro e ele estará trabalhando, saindo de casa (pausa para engolir seco).

    Ontem estava cantando para os dois dormirem, uma das poucas (poucas não, raríssimas) canções que eu sei de cor: Aquarela, do Toquinho, em parceria com Vinicius de Moraes. Gosto dessa música porque ela é longa e dá pra viajar muito na letra dela. Enfim, estava cantando e, já com os dois adormecidos, cantei os últimos versos e inevitavelmente lágrimas rolaram dos meus olhos…:

    Vamos todos
    Numa linda passarela
    De uma aquarela que um dia, enfim
    Descolorirá

    (ops, chorei um pouquinho de novo)

    Eu não sei se existe uma análise oficial da letra, mas na minha interpretação levando em consideração toda a letra, o “descolorirá” pode significar o fim da infância, mas já li que tem a ver com a brevidade da vida.

    Por um lado, é bom ter essa percepção assustada do tempo. Nos faz querer ficar mais tempo abraçados, dormindo junto, enchendo de beijos, fazendo cafuné, beijinho no dodói, pegando no colo. Todos os dias, quando os dois acordam, pego-os no colo e dou aquele abraço apertado, como em uma tentativa desesperada de uma mãe que quer segurar o tempo. Só solto quando eles se afastam.

    A Alice está com 4 anos e ainda tem que um “quê” de bebezinha da mamãe, cheia de dengos, chorinhos mimados e com todos dentes de leite (rs quem tem um filho banguela sabe o que significa cada dente caído nessa corrida do tempo). O Teodoro tem seus momentos de dengo, pede pra dormir com a gente (e dorme), mas já tem uma certa vergoinha quando tasco-lhe um beijo na bochecha na frente dos amigos da escola!

    Mas essa é a doideira da maternidade né? Como diz o Toquinho:

    “E o futuro é uma astronave
    Que tentamos pilotar
    Não tem tempo, nem piedade
    Nem tem hora de chegar

    Sem pedir licença
    Muda a nossa vida
    E depois convida
    A rir ou chorar”

    .

  • Reflexões: A alegria nos visita em momentos comuns

    Reflexões: A alegria nos visita em momentos comuns

    Parar para valorizar os pequenos detalhes da vida podem te deixar mais alegres do que grandes acontecimentos (esses que quase nunca chegam!)

    hoje sera um dia bom

    No meu perfil do Instagram soltei lá no stories o trecho de um livro que estou lendo “A coragem de ser imperfeito”, de Brené Brown. Destaquei a parte que diz: “A alegria nos visita em momentos comuns. Não corra o risco de deixar a alegria passar desapercebida mantendo-se ocupado demais perseguindo o extraordinário”.

    a coragem de ser imperfeito

    Andei refletindo tanto sobre essa frase e notei que esses momentos pequenos de alegrias estavam passando desapercebidos por mim. Tem uma frase atribuída a Mahatma Gandhi que gosto muito:

    “Não existe caminho para a felicidade… A felicidade é o caminho”

    Foi no instagram também que eu contei que finalmente colocamos uma mesa de refeições na sala. Até então, comíamos cada um em uma mesinha de apoio sentados no sofá, cada um com seu horário, de acordo com sua correria. Começou o ano e quis fazer diferente: fazer as refeições em família, com todos sentados na mesa! Não tenho muito espaço na sala e por isso quebrei a cabeça para ajeitar a configuração dos móveis. Enfim, aperta daqui, aperta dali e coube uma mesa redonda no canto (a mesa redonda ocupa menos espaço).

    Finalmente, uma mesa para tomarmos café da manhã, almoçar e jantar!
    Finalmente, uma mesa para tomarmos café da manhã, almoçar e jantar!

    Tá, mas o que o título, o livro e uma mesa têm a ver um com o outro?

    É que neste final de semana fizemos o nosso primeiro café da manhã em família… Até registrei (#aloucadafoto). Uma cena tão cotidiana, tão simples, mas que me deixou tão grata e alegre! Tão bom notar a felicidades nas pequenas coisas!

    Essa nova rotina vem com algumas regrinhas: sem TV, sem tablet, sem celular. É um momento nosso, um momento para a gente desconectar do mundo e estarmos presentes no aqui e agora. Prestar atenção no que estamos vivendo no momento e aceitar as emoções fluírem (O Mindfulness ajuda bastante na busca pela atenção no momento presente. Leiam o post que fiz sobre Mindfulness)

    Dá para sentir tudo isso com o celular do lado? Não mesmo!

    E o livro “A coragem de ser imperfeito” diz que conseguimos nos permitir ser alegres quando aceitamos a nossa imperfeição, a nossa vulnerabilidade diante dos problemas. Um tapa na cara, né?

    Você já parou pra pensar nas pequenas coisas que te deixam alegre? Nem tudo nem ninguém precisa ser perfeito para nos dar alegria, já pensou nisso? Que tal dar mais valor às cenas mais cotidianas da vida?

    Leia também:

    Mindulfness: saiba como a meditação pode ajudar as mães

    Reflexões: eu sou feliz e sei!

  • Estudo revela diferentes tipos de pais e os reflexos que causam na infância. Que tipo de pais vocês são?

    Estudo revela diferentes tipos de pais e os reflexos que causam na infância. Que tipo de pais vocês são?

    criança feliz

    Você já parou para pensar que tipo de mãe/ pai é você e como isso pode refletir no comportamento dos filhos? Porque, né, mãe não é tudo igual não…

    O canal Gloob, em parceria com a consultoria Play – Pesquisa e Conteúdo Inteligente, a curadoria de conhecimento Inesplorato e o Instituto de Pesquisa Quantas, realizou uma pesquisa para mapear os diferentes tipos de cuidar e os reflexos que causam nas características comportamentais das crianças.

    Chamado “Vem de Casa”, o estudo apontou três diferentes tipos de pais em relação ao modo com que cuidam dos filhos. Em qual desses tipos de pais você se identifica?

    ·         É normal você se identificar e transitar entre um tipo e outro, assim como as crianças também podem expressar mais de um desses comportamentos. A pesquisa foi realizada com mais de 1 mil entrevistas.

    Balança (41%)

    Os pais “Balança” estimulam a curiosidade e a autoexpressão dos filhos, além de discutirem e os consultarem, com frequência, sobre as decisões. Os filhos dos pais “Balança” são questionadores, colaborativos, independentes e espontâneos.

    Sinal Verde (22%)

    Os responsáveis do grupo “Sinal Verde” permitem que as crianças regulem suas próprias atividades, são poucos exigentes quanto à ordem e aceitam com mais facilidade os impulsos e desejos das crianças. Os filhos dos pais “Sinal Verde” são curiosos, individualistas e com grande acesso a informações.

    GPS (37%)

    Já os pais “GPS” apresentam um nível de controle maior em relação aos filhos. As regras, proibições e restrições são nítidas e valorizam o respeito pela autoridade e pela ordem. Entre os pais “GPS” predominam crianças mais obedientes, com características pouco questionadoras e que nem sempre expressam suas vontades

    O estudo revelou outro dado importante: apesar de 97% dos pais acreditarem que brincar é importante para o desenvolvimento do filho, apenas 64% brincam às vezes, segundo os filhos.

    Confiram outras informações da pesquisa:

    Infográfico Dossiê 2017 Gloob

    ·         Para o “Vem de Casa” foram realizadas mais de 1 mil entrevistas com pais e crianças entre 06 e 09 anos, de diferentes regiões do país, que compõem as classes ABC e que têm acesso aos canais infantis da Tv Paga. O estudo foi realizado em três fases – uma curadoria sobre a infância, comandada pela Inesplorato; uma etapa quantitativa conduzida pela Quantas; e a Home Invasion, realizada pela Play.

    Em 2015 o canal Gloob também divulgou uma pesquisa realizada com crianças de 6 a 9 anos revelando o comportamento da geração “on demand“.

  • Crianças entre 5 e 6 anos: quem apertou o botão de acelerar?

    Crianças entre 5 e 6 anos: quem apertou o botão de acelerar?

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    Terrible Two? Deixa os seis chegarem para você ver!

    Dia desses, na consulta pediátrica dos filhos, brinquei que muitas vezes meu filho mais velho (5 anos), parecia estar na pré-adolescência*.

    *A Dra Adriana Foz, neuropsicóloga e diretora técnica da Unidade Integrativa Santa Mônica, me corrigiu. “Poderíamos brincar com a palavra ‘criancência’”, afirma. Ela ainda diz que nesta idade, “são crianças ávidas por estímulos, aprendem muito bem conteúdos concretos e fazem amizades com facilidade. Necessitam de limites claros e coerentes. O exemplo em casa e nas relações familiares é muito importante”.

    Em outras palavras: meu filho está terrível!

    Ao mesmo passo que tem um ótimo desenvolvimento nas habilidades e coordenação motora, aumenta o vocabulário repentinamente, elabora histórias ricas em detalhes, é mais compreensível, já consegue se colocar no lugar do outro, consegue identificar e nomear sentimentos, tem umas tiradas incríveis (racho o bico com ele), também tem uma parte mais difícil que tem me deixado impaciente muitas vezes:

    – Questiona praticamente tooooodos os “nãos” que recebe.

    – Já deu muitas respostas irônicas. Com 5 anos. Algumas são umas tiradas bem engraçadas. Um dia perguntou para a amiga o seu nome completo. Ao responder um nome compridíssimo, tipo “Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga”, eis que ele manda: nossa, que nome curto hein? Hahaha Mas outras ironias e tiradinhas são fora de hora – e são essas que me deixa malucaaaa (rs).

    – Está desafiador. Em algumas vezes sabe que está errado, mas continua fazendo só para ver até onde vou. E quando dá aquele sorrisinho sarcástico de canto de boca mesmo depois de levar uma chamada?

    – Quando eu peço para ele fazer algo, ele tenta achar uma forma de fazer como se a ideia fosse dele ou ainda na hora que ele quiser. Como a hora de tomar banho. “Tá, já vou”. “É agora, filho!”. “Tá, tô indo”. “Filho, para a gente não se atrasar, você precisa entrar no banho agora”. “Tá, já vou”. Ele vai tomar banho, ele vai fazer o que estou pedindo. Mas na hora que ele decidir, nem que isso seja no segundo seguinte.

    – Está boca suja. Mas não é beeeem “boca suja”… Ele não fala palavrão de adulto e sabe distinguir um palavrão de verdade. Mas descobriu que falar “bunda, cocozento, bunda fedida, peido na cara” é engraçado. E vou te falar… dependendo do contexto realmente é engraçado, não vou negar hihih. Mas ao mesmo tempo não posso deixar o menino falando tanta besteira, né? Tudo tem hora e local certo…

    Quando participei do Descomplica Mãe, evento materno que aconteceu em outubro em São Paulo, a psicóloga e consultora em educação Rosely Sayão, uma das palestrantes do evento, deu algumas dicas sobre palavrões e crianças. Segundo a psicóloga, as crianças – assim como nós – precisam de palavras para desabafar, para extravasar. Então a gente pode ensinar algumas palavras e termos que possam substituir um palavrão. Ela contou que em uma escola que estava prestando consultoria, uma semana depois de dar essa dica, estavam todos saindo da classe xingando o outro de “jacaré”, “boina”, “chapéu” rs. Bastou um adulto para fazer essa condução do problema.

    Voltando ao “terrible 5” (rs):

    – Contesta 98,9% das minhas decisões. “Mas, mãe” é a frase que mais ouço durante o dia. Quando percebo, estou discutindo há 10 minutos o motivo pelo qual não o deixo ver determinado desenho. Na verdade, tenho o maior orgulho dele questionar. É para isso que nós o educamos, para ser uma criança questionadora e não simplesmente obediente. Obedecer por obedecer não faz o menor sentido para mim.

    Mas a teoria é diferente da prática, né? Faço questão de explicar, ensinar e contextualizar, mas, sinceramente, às vezes não tem como escapar do “não porque não e fim de papo”. E não é que dia desses, diante do meu “porque não”, ele me solta “porque não não é resposta”. E o queixo caído da mãe? * Certeza que se minha mãe tivesse presenciado essa cena, ela teria dado uma risadinha de vingança.

    Tudo isso sem contar com a energia física que parece um terremoto. Gente, sério, eu vou fazer um dia um filminho de como é a chegada dos meus filhos depois da escola. É um salve-se quem puder, uma gritaria… parece recreio de escola com 200 crianças!

    Sei que todas essas características fazem parte do desenvolvimento de uma criança nesta idade. Mas eu não sei quem apertou o botão FF do controle remoto… em que momento que essas crianças dispararam e começaram a crescer em uma velocidade absurda?

    Aqui em casa, aquela máxima que “maternidade é igual videogame, a próxima fase será sempre mais difícil” tem se mostrado muito verdadeira rs

    Como está sendo essa fase na sua casa? Confesso que às vezes não sei como agir, mas acho que o mais louco na maternidade é justamente você aprender a ser mãe no mesmo ritmo que seus filhos se desenvolvem.

    Quando algo não vai bem e sorrateiramente a culpa materna chega perto de mim, eu me acolho. E nessas horas me lembro que tudo é novo pra mim também, que eu também estou aprendendo, que eu também estou passando de fases. Eu nunca tinha sido mãe do Teodoro de 5 anos e mãe da Alice de 3 anos.

    (neste momento estou me imaginando daqui uns 3 anos lendo esse texto…. O que será que terá mudado na minha forma de pensar e maternar?)

  • Mindfulness: saiba como a meditação pode ajudar as mães

    Mindfulness: saiba como a meditação pode ajudar as mães

    mindfulness meditacao
    “O Mindfulness nos ajuda a sentir cada experiência como se fosse a primeira vez”

    Mindfulness é um termo que vem sendo muito ouvido nos últimos tempos. Basicamente é o estado mental de atenção plena. Sabe quando a gente está fazendo alguma coisa com a cabeça em outro lugar ou ainda com a sensação de estar sempre no piloto automático? O objetivo da meditação mindfulness é trazer você para o momento presente. O resultado: uma melhor qualidade de vida, relações mais saudáveis e uma infinidade de coisas positivas.

    “A fama de mindfulness tem acontecido principalmente por causa das pesquisas científicas. Os estudos têm revelado muitos achados importantes e demonstrado diminuição de ansiedade e estresse, aumento de bem-estar, qualidade de vida e muitos outros benefícios”, revela a psicóloga e instrutora de mindfulness Fabiana Saes.

    Eu mesma estou fazendo um curso de Mindfulness para pais e mães com a Fabiana. O curso tem me ajudado muito a encarar situações desagradáveis do dia a dia com mais leveza, me livrar de julgamentos que só me fariam mal e, o mais importante de tudo, notei que estou encarando melhor os momentos de estresse com as crianças aqui em casa, além de me acolher mais, deixando aquela famosa culpa materna de lado.

    Para vocês saberem do que estou falando, vou dar um exemplo prático do que já aconteceu aqui. Certo dia tive um problema na escola das crianças por telefone que me deixou muito irritada. Estávamos em casa os três. Eu com aquela irritação na cabeça e as crianças começam a pedir isso, pedir aquilo, a brigar, a chorar… Enfim, aquela cena caótica que todo mundo já viveu em casa. Tinha tudo para estourar e dar um berro de basta, como já fiz em outras vezes, mas dessa vez tentei de outro jeito. Aceitei aquela situação de crise e consegui me conectar com as crianças. Busquei um momento de paz em mim mesma para ouvi-los atentamente e depois consegui explicar a eles que naquela hora eu não estava bem e que eu não iria atendê-los. E mais: expliquei que eu precisava ficar um pouco quietinha para eu me acalmar.

    Outra situação clássica é quando temos alguma preocupação. Seja ela qual for, é muito comum estendermos o problema com vários possíveis desdobramentos lá na frente. Com a prática do mindfulness estou aprendendo a viver o momento presente, o agora. Consequentemente, me livrando de pesos desnecessários.

    Eu fiz uma entrevista bem legal com a instrutora de mindfulness – e também mãe de dois filhos – Fabiana Saes, para desmistificar o assunto e para vocês saberem melhor como a meditação pode ajudar nós, mães. No final da entrevista ela indicou dois livros sobre meditação, pais e filhos, e ainda sugeriu algumas práticas que podemos fazer com as crianças.

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    “Não adianta a mãe abaixar para ficar da altura da criança para falar com ela em um momento de ensinamento, se a mãe não estiver conectada a si mesma e com estado de atenção plena”/ Photo via VisualHunt

    As mães estão cada vez mais em um estado de desatenção, que é o oposto de mindfulness, com tantas tarefas e responsabilidades que muitas vezes se transformam em um trator e não conseguem observar necessidades básicas dos filhos

    Fazendo um panorama geral, como você definiria mindfulness?

    Mindfulness, traduzido como atenção plena, é um estado de presença que acontece quando, intencionalmente, colocamos nossa atenção no momento presente como ele se apresenta, com aceitação e sem julgamento. Passamos a observar a experiência vivida sem buscar alterá-la. Dessa maneira notamos todas as emoções, sentimentos e pensamentos envolvidos com a experiência presente, bem como todas as sensações corporais desencadeadas pela situação.

    Então percebemos como nos relacionamos ao que pensamos e sentimos e como nosso corpo reage às experiências e quando isso ocorre encontramos maneiras conscientes de agir e manejar nossos impulsos. Qual mãe nunca chegou em casa com problemas de trabalho e ficou mais irritada com um comportamento do filho rotineiro? Ou ainda, brigou com o filho fortemente, por ele não querer seguir a ordem, pensando que no futuro ele seria um adolescente rebelde? São duas situações em que há entrega automática ao que se pensa sobre o futuro ou por uma emoção difícil, mas não se está vivendo a situação do momento presente.

    Em resumo, mindfulness é viver com o “piloto automático” desligado.

    Por que o mindfulness está sendo tão falado ultimamente?

    Porque além dos benefícios comprovados é fácil de utilizar e simples para praticar. E a fama de mindfulness tem acontecido principalmente por causa das pesquisas científicas. Os estudos têm revelado muitos achados importantes e demonstrado diminuição de ansiedade e estresse, aumento de bem-estar, qualidade de vida e muitos outros benefícios. Além disso, a prática de mindfulness é bem simples.

    Mas é importante ressaltar que Mindfulness não é a solução de todos os problemas, não é uma panaceia, não garante a felicidade, como alguns profissionais “vendem”.

    Existem pesquisas comprovando que o mindfulness pode ser benéfico em diversas situações. Os benefícios de mindfulness podem ser verificados tanto no ambiente de trabalho, em escolas, na saúde.

    As pesquisas são realizadas com pessoas que passam por um programa de mindfulness de 8 semanas e já se tem comprovado redução de ansiedade e fadiga, maior rendimento no trabalho, melhora da empatia, melhora da memória, aumentos de atenção e concentração, regulação das emoções, aumento da compaixão, redução de estresse, dentre outros.

    Como ele pode nos ajudar na busca por uma relação plena entre mães / pais e filhos?

    Entrar em contato com o aqui e agora é poderoso e nos coloca frente a tudo, e tudo eu quero dizer sobre os sofrimentos e as alegrias dos momentos. E o que fazemos com tudo isso? Acolhemos de forma gentil e amorosa e assim lidamos de maneira compassiva conosco e com os outros. Como mães, a autocrítica para ser um estigma, pensamentos duros do tipo “estou fazendo tudo errado”, “sou uma péssima mãe”, “meu filho não gosta de mim”, parecem dominar nosso coração e não sabemos como reagir a tudo isso. Mindfulness nos ajuda a lidar com esses pensamentos.

    Quando uma mãe aceita que faz parte da condição humana tentar fazer o melhor e está tudo bem sofrer com isso, aceitamos essa condição com carinho. Rotular os filhos como se eles sempre agissem da pior maneira, só prende a mãe a uma experiência passada dificultando que ela viva o momento presente, e no momento presente pode ser que o filho tenha um comportamento desejado, mas o sofrimento de ter o pensamento de que ele não vai agir como se gostaria, traz sentimentos negativos e baixa tolerância. Com isso, fica muito difícil se conectar com o filho.

    Não adianta a mãe abaixar para ficar da altura da criança para falar com ela em um momento de ensinamento, se a mãe não estiver conectada a si mesma e com estado de atenção plena.

    As crianças só podem ser ensinadas a entenderem seus sentimentos e expressarem de maneira assertiva, se quem ensina entra em contato com suas próprias emoções e lida de forma atenta e consciente.

    As mães estão cada vez mais em um estado de desatenção, que é o oposto de mindfulness, com tantas tarefas e responsabilidades que muitas vezes se transformam em um trator e não conseguem observar necessidades básicas dos filhos.

    Pode haver uma melhora na relação entre mãe/pai e filhos com mindfulness, pois existe uma aproximação e conexão compassiva entre eles.

    Eu já fiz muitos posts aqui no Todas as Mães falando sobre como nos sentimos perdidas após a chegada da maternidade. O mindfulness pode ajudar a mulher nesse sentido também?

    Sim, com certeza pois o mindfulness nos ajuda a lidar com as situações difíceis e o mais importante, promovendo autocuidado. Ninguém nos ensina e ser mãe e vamos descobrindo dia-a- dia todos os desafios de lidar com uma nova vida. A responsabilidade e o sentimento de amor materno geram grandes preocupações. As preocupações são pensamentos sobre o futuro dos filhos, dúvidas, angústias que invadem a mente.

    “Será que ele dormir à noite toda?”, “Será que ele vai mamar?”, “Será que ele vai começar a andar?”, “Quando devo tirar a fralda?”, “Devo dar chupeta? E se prejudicar os dentes?”. Quais foram e são suas preocupações? Imagino que muitas né? Dos pensamentos que você teve que causou preocupação e ansiedade, quais realmente poderiam ter sido evitados sabendo de tudo que você sabe depois de ter vivido os primeiros anos com o filho? Pois é, imagino que a maioria.

    Vou compartilhar uma situação que acontecia na minha casa com meus filhos. Na maior parte das vezes que as crianças (tenho um casal de filhos) começavam a brincar e as gargalhadas aumentavam e começava um “para” daqui e um “para” de lá, eu já interrompia a brincadeira dizendo que iam se machucar e lógico que eles resmungavam. Essa situação me incomodava muito e enquanto eles se divertiam, eu já estava assistindo uma catástrofe acontecendo e como uma boa zelosa mãe, não queria que nada de ruim acontecesse com as crianças.

    Depois que comecei a praticar mindfulness, essa situação mudou, hoje percebo essa irritação no meu corpo, o pensamento grudando na minha mente “daqui a pouco alguém vai começar a chorar” e uma ansiedade presente, então entro em contato com o que está acontecendo no momento e um novo pensamento surge “eles só estão se divertindo” e na maior parte das vezes eles não brigam e não se machucam. Isso é viver o aqui e agora.

    Queremos que nossos filhos não se machuquem, mas também queremos que eles tenham boas experiências e se divirtam e quantas vezes evitamos a parte boa em função do pior que nem sempre acontece? Mindfulness nos ajuda a sentir cada experiência como se fosse a primeira vez.

    As crianças também conseguem fazer uma meditação mindfulness? Existe alguma prática que podemos inserir no dia a dia da criança para ela começar a entrar em contato com esse processo de atenção plena?

    As crianças também podem praticar mindfulness. As práticas são mais lúdicas e possibilitam atenção plena aos sons, partes do corpo, respiração, pensamentos, sentimentos, movimentoscorporais e alimentação.

    Uma prática simples para treinar mindfulness com as crianças é a atenção plena na respiração. Pede-se para que a criança, em um momento tranquilo do dia, sente-se (se possível de olhos fechados) imagine uma flor e uma vela, ela apaga a vela e cheira a flor, quantas vezes ela puder. A cada dia incentive que ela aumente o número de vezes em que faz as respirações. Uma outra prática que as crianças gostam muito é a atenção plena ao corpo e que pode ser feita sempre antes de dormir. Quando a criança estiver deitada peça que ela feche os olhos e peça que ela imagine uma borboleta pousando em vários locais do corpo, inicie dizendo que a borboleta está nos pés e peça que ela sinta os pés e vá seguindo até a cabeça, ou talvez funcione usar a água do mar tocando nas partes do corpo. Experimente e vá observando como a criança reage. Não tem certo nem errado. A ideia é permitir que a criança experimente entrar em contato com o momento presente e usar o corpo ou a respiração como âncora para o presente.

    Onde podemos saber mais sobre os seus cursos? Você pode indicar algum livro para que quiser saber mais a respeito?

    Tenho duas sugestões de leitura, ambas da Editora Rocco, “Quietinho feito um sapo: exercícios de meditação para crianças (e seus pais)”, da Eline Snel e “Mães e pais conscientes. Como transformar nossas vidas para empoderar nossos filhos”, de Shefali Tsabary.

    As informações sobre os meus cursos podem ser encontradas nas páginas tanto do Facebook quanto do Instagram. Também é possível acompanhar a publicação de textos na página da minha clínica Brace Psicoterapia e Mindfulness ou do Conectta Mindfulness e Compaixão, rede da qual sou membro.

    Quem quiser também pode falar comigo por e-mail: fabiana@brace.net.br ou por telefone (11) 96081-0404, que ficarei feliz em receber o contato.

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  • A redescoberta após a maternidade: você já fez algo por você hoje?

    A redescoberta após a maternidade: você já fez algo por você hoje?

    Quando o Descomplica Mãe explicou que seu objetivo era trazer de volta o foco na mãe, pensei: ah, que ótimo, as mães realmente precisam disso! Mas aí parei e me perguntei: E eu, o que fiz ou estou fazendo por mim?

    Quando estamos esperando um bebê, toda a atenção é voltada para nós: as pessoas se levantam para você se sentar, perguntam sobre a sua saúde, se interessam pelas suas expectativas e são até mais gentis. Quando você se torna mãe, acabou, o foco agora é o bebê. OK, justíssimo! Só que abrimos mão de tanta coisa para o bem dos nossos filhos (seja durante a gravidez, durante a amamentação e pelos anos seguintes) que acabamos nos acostumando a pensar em nós por último!

    Eu já tinha me dado conta que estava completamente perdida nesse universo muito louco que é a maternidade! Mas não sabia como e nem o que eu poderia fazer para me reencontrar. Eu estava vivendo totalmente por e para os meus filhos e me deixado de escanteio.

    Eu tinha consciência que me tornara uma outra pessoa depois que meus filhos nasceram, mas o meu desafio era descobrir “quem eu havia me tornado”. O que eu gosto de fazer? O que eu quero fazer? Percebi que não sabia responder essas questões sem envolver as crianças.

    Pergunto: quem nunca se pegou assistindo canal de desenho enquanto as crianças estavam dormindo? Estamos funcionando no automático…

    Aos poucos, fui me valorizando mais, deixando a culpa de lado e prestando mais atenção em mim, nos meus gostos. Pode testar, você vai ver que atitudes simples, que parecem ser ridículas, já causam efeito! Tirar 10 minutinhos para ler um livro, estabelecer que a hora da sua novela é sagrada, folhear uma revista tomando uma taça de vinho, praticar exercícios e, pasmem… comprar uma roupa nova para você e não para as crianças. Faça algo por você, por mais simples que pareça, e verá como isso pode te fazer bem!

    A partir do momento que tomei consciência que precisava voltar a me enxergar, minha cabeça foi abrindo e tendo novas perspectivas. Fazer cursos, estudar, ler mais, resgatar antigos hobbies. Prestar atenção em pequenas coisas ao redor que te fazem feliz. Deixar as sapatilhas de lado e voltar a usar salto! Tentar ter uma conversa com uma amiga fugindo da pauta maternidade (difícil, eu sei). Essas são algumas atitudes que podem ajudar a você se reencontrar! Resumindo: descomplique!

    Claro que tudo faz parte de um processo que depende também da idade dos filhos e da característica de cada mãe. Conheço mães que conseguiram se reencontrar rapidamente após a maternidade, assim como outras que ainda estão neste caminho, como eu. Só sei que está valendo muito a pena e me fazendo bem!

    Você já fez algo por você hoje?

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    Photo via Visualhunt.com

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