Categoria: Mulher

Cuidados e interesses da mulher

  • Terapia de casal após a chegada dos filhos

    Terapia de casal após a chegada dos filhos

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    Se existe um casal que não teve dificuldades na adaptação da nova rotina após a chegada do bebê, eu não conheço, nunca vi! Cansaço, noites mal dormidas, rotina nova, falta de tempo e de espaço são algumas das queixas no consultório da Dra. Cristiane M. Maluf Martin, psicanalista, especialista em terapia de casais.

    Aqui em casa me lembro muito bem dos tempos de crise quando as crianças nasceram. Um exemplo: em ambos os filhos, meu marido que dava banho neles, pois eu morria de medo de machucá-los. No Teodoro comecei a dar banho depois dos 3 meses só. Já com a Alice, depois dos primeiros dias, comecei a ficar irritada e muito impaciente quando meu marido chegava atrasado do trabalho. Então cortei aquela dependência que tinha dele e assumi o banho quando ele se atrasava. Até aí estava tudo bem… Mas no dia que ele “botou as manguinhas de fora” e resolveu voltar a jogar tênis (esporte que ele sempre praticou durante a semana após o trabalho), virei uma fera!! Como assim ele ia retomar a rotina dele? Da simples partida de tênis até a cervejinha pós-jogo (como ele também sempre fazia) foi questão de poucas semanas. Assim como a minha ira!

    Foram tempos difíceis no nosso relacionamento. Mas com muita conversa, acordos e também jogo de cintura conseguimos superar esse momento tão difícil (e comum) na vida do casal. Ele também me mostrou que eu podia contar com ele para eu fazer as minhas coisas, ter um tempo só pra mim. Assim como, aos poucos, fomos redescobrindo qual seria o tempo só nosso, do casal. É difícil, mas a gente acaba encaixando!

    Na época, não procuramos uma terapia de casal, mas acho que poderia ter sido muito benéfico para a gente! Fiz essa entrevista com a Dra. Cristiane para mostrar um pouco do que acontece no consultório de uma psicanalista e quais as principais queixas das mulheres e dos homens após a chegada do bebê.

    Será que você se identifica?

    Quais são as principais queixas no consultório das mulheres após a chegada da maternidade?

    Geralmente, após a maternidade, as mulheres se queixam da falta de tempo para si, ou seja, do quanto o bebê depende 100% dela, o que acaba tirando não seu sono, mas também todo o tempo da mulher. Ressalto que a perda do espaço e da liberdade do casal é uma das queixas mais frequentes apresentadas pela mulher.

    Ter filhos exige bastante disponibilidade física, mental, financeira e outros adjetivos, como paciência, dedicação, disposição, doação. Sugiro que essas mudanças sejam trabalhadas psicologicamente no decorrer da gestação para que a mulher não sinta um impacto tão grande na prática.

    Quem não dorme bem, passa o dia mal, em todos os sentidos mal humorado e alterado, afetando a relação.

    Geralmente é a mulher quem procura uma psicóloga para fazer terapia de casal? 

    Não necessariamente. Hoje em dia esse cenário mudou bastante, alguns homens preocupados em resgatar suas relações também procuram a terapia de casal, até para se sentirem mais aliviados e entenderem que a atenção maior da sua companheira, que antes só era esposa e agora também é mãe, é quase 100% para o bebê.

    Atualmente estamos observando um avanço significativo na chamada paternidade ativa. Você acha que o fato dos homens estarem mais presentes na rotina e nos cuidados do bebê pode ajudar na relação entre o casal?

    Sim, pois ajuda o casal a não se distanciar por conta da nova rotina que a chegada do bebê traz. Inclusive com a ampliação da licença paternidade, o vínculo entre o pai e o bebê tornou-se bem mais próximo, o que favoreceu a família como um todo, pois com essa licença o pai “ganhou” o direito de permanecer mais presente durante os 20 primeiros dias de vida do bebê, ajudando sua companheira nesta fase de adaptação bastante difícil.

    É muito comum ter uma mudança na relação do casal após a chegada de um bebê, não é? Mas em que momento na vida do casal se faz necessário procurar uma psicoterapia a dois?

    Sim, por mais que o casal se conheça, e estejam numa relação estável a chegada de um filho é sempre um diferencial na vida de todo casal, onde eram dois agora são três, quanto mais tarde o casal decide por ter filhos mais difícil será a adaptação, pois estão priorizando suas vidas profissionais e o “espaço” para o bebê fica cada vez menor.

    Ressalto que um dos momentos importantes para buscar uma psicoterapia de casal é quando o casal começa a responsabilizar a chegada do bebê pelo desgaste da relação, o que na verdade, essa situação só intensificou problemas que já existiam e não foram resolvidos antes da chegada do filho (a).

    Tem alguma dica para as mães que estão tendo alguma dificuldade no relacionamento?

    A cumplicidade, o diálogo, o companheirismo entre o casal antes da chegada do bebê é fundamental para que ambos consigam passarem por esse período de adaptações de uma maneira mais tranquila.

    E mesmo após o nascimento do filho (a), devem manter esta cumplicidade enquanto casal, pois não podem se esquecer que independentemente de serem pai e mãe são um casal e precisam manter o amor que os uniu.

    ·  Dra. Cristiane M. Maluf Martin é especialista em psicanálise, terapia de casais, psicodiagnóstico, ludoterapia e dinâmicas de grupo. Possui 19 anos de experiência profissional e, também, é palestrante. Atua ainda em hospitais públicos na área de Planejamento Familiar

     

  • Mindfulness: saiba como a meditação pode ajudar as mães

    Mindfulness: saiba como a meditação pode ajudar as mães

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    “O Mindfulness nos ajuda a sentir cada experiência como se fosse a primeira vez”

    Mindfulness é um termo que vem sendo muito ouvido nos últimos tempos. Basicamente é o estado mental de atenção plena. Sabe quando a gente está fazendo alguma coisa com a cabeça em outro lugar ou ainda com a sensação de estar sempre no piloto automático? O objetivo da meditação mindfulness é trazer você para o momento presente. O resultado: uma melhor qualidade de vida, relações mais saudáveis e uma infinidade de coisas positivas.

    “A fama de mindfulness tem acontecido principalmente por causa das pesquisas científicas. Os estudos têm revelado muitos achados importantes e demonstrado diminuição de ansiedade e estresse, aumento de bem-estar, qualidade de vida e muitos outros benefícios”, revela a psicóloga e instrutora de mindfulness Fabiana Saes.

    Eu mesma estou fazendo um curso de Mindfulness para pais e mães com a Fabiana. O curso tem me ajudado muito a encarar situações desagradáveis do dia a dia com mais leveza, me livrar de julgamentos que só me fariam mal e, o mais importante de tudo, notei que estou encarando melhor os momentos de estresse com as crianças aqui em casa, além de me acolher mais, deixando aquela famosa culpa materna de lado.

    Para vocês saberem do que estou falando, vou dar um exemplo prático do que já aconteceu aqui. Certo dia tive um problema na escola das crianças por telefone que me deixou muito irritada. Estávamos em casa os três. Eu com aquela irritação na cabeça e as crianças começam a pedir isso, pedir aquilo, a brigar, a chorar… Enfim, aquela cena caótica que todo mundo já viveu em casa. Tinha tudo para estourar e dar um berro de basta, como já fiz em outras vezes, mas dessa vez tentei de outro jeito. Aceitei aquela situação de crise e consegui me conectar com as crianças. Busquei um momento de paz em mim mesma para ouvi-los atentamente e depois consegui explicar a eles que naquela hora eu não estava bem e que eu não iria atendê-los. E mais: expliquei que eu precisava ficar um pouco quietinha para eu me acalmar.

    Outra situação clássica é quando temos alguma preocupação. Seja ela qual for, é muito comum estendermos o problema com vários possíveis desdobramentos lá na frente. Com a prática do mindfulness estou aprendendo a viver o momento presente, o agora. Consequentemente, me livrando de pesos desnecessários.

    Eu fiz uma entrevista bem legal com a instrutora de mindfulness – e também mãe de dois filhos – Fabiana Saes, para desmistificar o assunto e para vocês saberem melhor como a meditação pode ajudar nós, mães. No final da entrevista ela indicou dois livros sobre meditação, pais e filhos, e ainda sugeriu algumas práticas que podemos fazer com as crianças.

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    “Não adianta a mãe abaixar para ficar da altura da criança para falar com ela em um momento de ensinamento, se a mãe não estiver conectada a si mesma e com estado de atenção plena”/ Photo via VisualHunt

    As mães estão cada vez mais em um estado de desatenção, que é o oposto de mindfulness, com tantas tarefas e responsabilidades que muitas vezes se transformam em um trator e não conseguem observar necessidades básicas dos filhos

    Fazendo um panorama geral, como você definiria mindfulness?

    Mindfulness, traduzido como atenção plena, é um estado de presença que acontece quando, intencionalmente, colocamos nossa atenção no momento presente como ele se apresenta, com aceitação e sem julgamento. Passamos a observar a experiência vivida sem buscar alterá-la. Dessa maneira notamos todas as emoções, sentimentos e pensamentos envolvidos com a experiência presente, bem como todas as sensações corporais desencadeadas pela situação.

    Então percebemos como nos relacionamos ao que pensamos e sentimos e como nosso corpo reage às experiências e quando isso ocorre encontramos maneiras conscientes de agir e manejar nossos impulsos. Qual mãe nunca chegou em casa com problemas de trabalho e ficou mais irritada com um comportamento do filho rotineiro? Ou ainda, brigou com o filho fortemente, por ele não querer seguir a ordem, pensando que no futuro ele seria um adolescente rebelde? São duas situações em que há entrega automática ao que se pensa sobre o futuro ou por uma emoção difícil, mas não se está vivendo a situação do momento presente.

    Em resumo, mindfulness é viver com o “piloto automático” desligado.

    Por que o mindfulness está sendo tão falado ultimamente?

    Porque além dos benefícios comprovados é fácil de utilizar e simples para praticar. E a fama de mindfulness tem acontecido principalmente por causa das pesquisas científicas. Os estudos têm revelado muitos achados importantes e demonstrado diminuição de ansiedade e estresse, aumento de bem-estar, qualidade de vida e muitos outros benefícios. Além disso, a prática de mindfulness é bem simples.

    Mas é importante ressaltar que Mindfulness não é a solução de todos os problemas, não é uma panaceia, não garante a felicidade, como alguns profissionais “vendem”.

    Existem pesquisas comprovando que o mindfulness pode ser benéfico em diversas situações. Os benefícios de mindfulness podem ser verificados tanto no ambiente de trabalho, em escolas, na saúde.

    As pesquisas são realizadas com pessoas que passam por um programa de mindfulness de 8 semanas e já se tem comprovado redução de ansiedade e fadiga, maior rendimento no trabalho, melhora da empatia, melhora da memória, aumentos de atenção e concentração, regulação das emoções, aumento da compaixão, redução de estresse, dentre outros.

    Como ele pode nos ajudar na busca por uma relação plena entre mães / pais e filhos?

    Entrar em contato com o aqui e agora é poderoso e nos coloca frente a tudo, e tudo eu quero dizer sobre os sofrimentos e as alegrias dos momentos. E o que fazemos com tudo isso? Acolhemos de forma gentil e amorosa e assim lidamos de maneira compassiva conosco e com os outros. Como mães, a autocrítica para ser um estigma, pensamentos duros do tipo “estou fazendo tudo errado”, “sou uma péssima mãe”, “meu filho não gosta de mim”, parecem dominar nosso coração e não sabemos como reagir a tudo isso. Mindfulness nos ajuda a lidar com esses pensamentos.

    Quando uma mãe aceita que faz parte da condição humana tentar fazer o melhor e está tudo bem sofrer com isso, aceitamos essa condição com carinho. Rotular os filhos como se eles sempre agissem da pior maneira, só prende a mãe a uma experiência passada dificultando que ela viva o momento presente, e no momento presente pode ser que o filho tenha um comportamento desejado, mas o sofrimento de ter o pensamento de que ele não vai agir como se gostaria, traz sentimentos negativos e baixa tolerância. Com isso, fica muito difícil se conectar com o filho.

    Não adianta a mãe abaixar para ficar da altura da criança para falar com ela em um momento de ensinamento, se a mãe não estiver conectada a si mesma e com estado de atenção plena.

    As crianças só podem ser ensinadas a entenderem seus sentimentos e expressarem de maneira assertiva, se quem ensina entra em contato com suas próprias emoções e lida de forma atenta e consciente.

    As mães estão cada vez mais em um estado de desatenção, que é o oposto de mindfulness, com tantas tarefas e responsabilidades que muitas vezes se transformam em um trator e não conseguem observar necessidades básicas dos filhos.

    Pode haver uma melhora na relação entre mãe/pai e filhos com mindfulness, pois existe uma aproximação e conexão compassiva entre eles.

    Eu já fiz muitos posts aqui no Todas as Mães falando sobre como nos sentimos perdidas após a chegada da maternidade. O mindfulness pode ajudar a mulher nesse sentido também?

    Sim, com certeza pois o mindfulness nos ajuda a lidar com as situações difíceis e o mais importante, promovendo autocuidado. Ninguém nos ensina e ser mãe e vamos descobrindo dia-a- dia todos os desafios de lidar com uma nova vida. A responsabilidade e o sentimento de amor materno geram grandes preocupações. As preocupações são pensamentos sobre o futuro dos filhos, dúvidas, angústias que invadem a mente.

    “Será que ele dormir à noite toda?”, “Será que ele vai mamar?”, “Será que ele vai começar a andar?”, “Quando devo tirar a fralda?”, “Devo dar chupeta? E se prejudicar os dentes?”. Quais foram e são suas preocupações? Imagino que muitas né? Dos pensamentos que você teve que causou preocupação e ansiedade, quais realmente poderiam ter sido evitados sabendo de tudo que você sabe depois de ter vivido os primeiros anos com o filho? Pois é, imagino que a maioria.

    Vou compartilhar uma situação que acontecia na minha casa com meus filhos. Na maior parte das vezes que as crianças (tenho um casal de filhos) começavam a brincar e as gargalhadas aumentavam e começava um “para” daqui e um “para” de lá, eu já interrompia a brincadeira dizendo que iam se machucar e lógico que eles resmungavam. Essa situação me incomodava muito e enquanto eles se divertiam, eu já estava assistindo uma catástrofe acontecendo e como uma boa zelosa mãe, não queria que nada de ruim acontecesse com as crianças.

    Depois que comecei a praticar mindfulness, essa situação mudou, hoje percebo essa irritação no meu corpo, o pensamento grudando na minha mente “daqui a pouco alguém vai começar a chorar” e uma ansiedade presente, então entro em contato com o que está acontecendo no momento e um novo pensamento surge “eles só estão se divertindo” e na maior parte das vezes eles não brigam e não se machucam. Isso é viver o aqui e agora.

    Queremos que nossos filhos não se machuquem, mas também queremos que eles tenham boas experiências e se divirtam e quantas vezes evitamos a parte boa em função do pior que nem sempre acontece? Mindfulness nos ajuda a sentir cada experiência como se fosse a primeira vez.

    As crianças também conseguem fazer uma meditação mindfulness? Existe alguma prática que podemos inserir no dia a dia da criança para ela começar a entrar em contato com esse processo de atenção plena?

    As crianças também podem praticar mindfulness. As práticas são mais lúdicas e possibilitam atenção plena aos sons, partes do corpo, respiração, pensamentos, sentimentos, movimentoscorporais e alimentação.

    Uma prática simples para treinar mindfulness com as crianças é a atenção plena na respiração. Pede-se para que a criança, em um momento tranquilo do dia, sente-se (se possível de olhos fechados) imagine uma flor e uma vela, ela apaga a vela e cheira a flor, quantas vezes ela puder. A cada dia incentive que ela aumente o número de vezes em que faz as respirações. Uma outra prática que as crianças gostam muito é a atenção plena ao corpo e que pode ser feita sempre antes de dormir. Quando a criança estiver deitada peça que ela feche os olhos e peça que ela imagine uma borboleta pousando em vários locais do corpo, inicie dizendo que a borboleta está nos pés e peça que ela sinta os pés e vá seguindo até a cabeça, ou talvez funcione usar a água do mar tocando nas partes do corpo. Experimente e vá observando como a criança reage. Não tem certo nem errado. A ideia é permitir que a criança experimente entrar em contato com o momento presente e usar o corpo ou a respiração como âncora para o presente.

    Onde podemos saber mais sobre os seus cursos? Você pode indicar algum livro para que quiser saber mais a respeito?

    Tenho duas sugestões de leitura, ambas da Editora Rocco, “Quietinho feito um sapo: exercícios de meditação para crianças (e seus pais)”, da Eline Snel e “Mães e pais conscientes. Como transformar nossas vidas para empoderar nossos filhos”, de Shefali Tsabary.

    As informações sobre os meus cursos podem ser encontradas nas páginas tanto do Facebook quanto do Instagram. Também é possível acompanhar a publicação de textos na página da minha clínica Brace Psicoterapia e Mindfulness ou do Conectta Mindfulness e Compaixão, rede da qual sou membro.

    Quem quiser também pode falar comigo por e-mail: fabiana@brace.net.br ou por telefone (11) 96081-0404, que ficarei feliz em receber o contato.

    Leia também:

    Reflexões: “A alegria nos visita em cenas comuns”

  • Como consegui parar de fumar

    Como consegui parar de fumar

    Photo credit: Pachakutik via Visual hunt / CC BY-NC-ND
    Photo credit: Pachakutik via Visual hunt / CC BY-NC-ND

    Dia 31 de maio é o Dia Mundial sem Tabaco e dia 29 de agosto é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

    Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos 25 anos a porcentagem de fumantes diários no país caiu de 29% para 12% entre homens e de 19% para 8% entre mulheres (dados de 2017). E posso dizer com o maior orgulho que faço parte dessa estatística!

    Comecei a fumar aos 16 anos. Quando percebi, fumava um maço inteiro (do Marlboro vermelho) por dia. Nas noites que eu saía para beber com os amigos, fumava fácil mais de um maço, totalizando 2 maços durante o dia todo. O cigarro fazia parte da minha rotina desde a hora que eu acordava. Podia ser a hora que fosse, mas meu dia só começava depois de uma xícara de café e um cigarro.

    Mas também na minha época de fumante era menos restritivo: podia-se fumar em restaurantes, bares, locais fechados, em qualquer lugar! Para ter uma ideia, eu trabalhava em uma assessoria de imprensa cuja dona também era fumante. Naquele escritório era super normal você ter um cinzeiro na sua mesa.

    Então eu fumava a hora que eu bem entendesse. Na minha mesa… Do trabalho! Que época mais egocêntrica que nós, os fumantes, vivemos, né, sem se preocupar com o vizinho… Ainda bem que tudo mudou. Já viajei na época que era permitido fumar dentro do avião! Não consigo mais imaginar como seria isso!!

    Tentei parar algumas vezes. Poucas vezes. Até com aqueles adesivos de nicotina já tentei. Mas não passava de poucos dias até eu acender um cigarro. Casei e depois veio a vontade de engravidar.

    Dizia para o meu marido que quando eu engravidasse iria parar de fumar pra valer! Tentei engravidar por uns 6 meses e nada. Eu já tinha lido que o tabagismo poderia afetar a fertilidade, mas não conseguia me livrar daquele vício por nada! E também morria de medo de engravidar e não conseguir parar de fumar.

    A Gravidez

    Eis que a menstruação atrasa e lá fui eu comprar o exame de farmácia para detectar a gravidez. Nunca, nunca vou me esquecer desse dia! Voltei da farmácia, sentei em frente ao computador, acendi um cigarro e falei: esse pode ser o último cigarro que vou fumar, tudo depende do resultado desse exame.

    Dei longas tragadas, curtindo mesmo aquele momento… o tal do raro prazer, propaganda do antigo Carlton rs. Enfim, apaguei a bituca, fui pro banheiro, fiz o exame e … POSITIVO!!! Voltei para a sala, peguei o maço de cigarro e joguei no lixo.

    "Voltei da farmácia, acendi um cigarro e falei: esse pode ser o último cigarro que vou fumar, tudo depende do resultado desse exame". Photo credit: massimo ankor via Visualhunt.com / CC BY-NC
    “Voltei da farmácia, acendi um cigarro e falei: esse pode ser o último cigarro que vou fumar, tudo depende do resultado desse exame”. Photo credit: massimo ankor via Visualhunt.com / CC BY-NC

    Como eu disse lá em cima, eu já tinha tentado parar de fumar algumas vezes, mas dessa vez me apeguei na gravidez e foi mais fácil do que eu imaginava! Finalmente eu consegui largar o cigarro após 16 anos fumando!

    A mudança de hábito me ajudou bastante também! Como estava grávida, não tomava mais bebida alcoólica. No início parei de tomar café e troquei por suco de laranja. Depois voltei com o café descafeínado e foi tudo bem.

    Aí comecei a comer muito chocolate durante toda a gravidez! Era doce que não acabava mais (mas eu fazia o pré-natal direitinho, então estava acompanhando a taxa de açúcar no sangue).

    Eu ainda sentia vontade de fumar, principalmente nos momentos que passava por alguma tensão. Mas eu consegui ser firme, sempre pensando no meu bebê. Lembro muito de um amigo que havia parado de fumar, que disse que a vontade nunca vai embora, ela sempre vai aparecer. O que vai mudar é que você vai conseguir se controlar melhor. Mesmo depois que meu filho nasceu, eu dizia para mim mesma que se eu quisesse muito fumar, tudo aquilo era temporário… eu poderia voltar a fumar se eu quisesse, só tinha que ser depois de desmamar.

    Bem, meu filho parou de mamar no peito depois de 1 ano. Ou seja, eu já estava há 1 ano e 9 meses sem fumar. Minha opinião sobre voltar a fumar tinha mudado… Eu já tinha passado tanto tempo sem dar um trago, não podia voltar atrás. Mas ainda sentia vontade de fumar. Quando voltei a tomar cerveja, então…minha nossa!

    A Recaída

    Foi então que no carnaval, quando o Teodoro tinha 14 meses (e eu 23 meses longe do cigarro), conseguimos um “vale folia”. Deixamos meu filho com a minha sogra no final de semana e fomos pular o carnaval nos bloquinhos de São Paulo. Programa de adultos! Bebemos bastante e me bateu uma vontade incontrolável de fumar. Pedi um cigarro. Sou bem grandinha, não admiti que alguém me negasse um cigarro, né? Sabia muito bem o que estava fazendo.

    Nossa, percebi o quão forte é um cigarro. Dei alguns tragos e fiquei super tonta, parecia que estava me dando barato! E não foi viagem minha, não! Li que a nicotina atua no sistema nervoso central da mesma forma que a cocaína, heroína e álcool, porém de maneira mais rápida, chegando ao cérebro entre sete e 19 segundos

    Acho que nem consegui fumar o cigarro inteiro. Mas aí sabe o que aconteceu? Bateu novamente a vontade incontrolável de fumar. Falei: quer saber? Não vou ficar filando cigarro! Vou comprar um maço!

    Foram muitas horas de carnaval, muitas cervejas e quase um maço in-tei-ro em uma tarde. Nem preciso dizer como foi minha ressaca, né? Parecia que eu ia morrer!

    No dia seguinte, a princípio, fiquei chateada por ter quebrado o meu jejum de quase 2 anos sem fumar. Mas eu sabia também que havia sido um impulso de carnaval. O comportamento que resultou naquela vontade incontrolável de fumar não caberia na minha rotina do dia a dia. E assim foi, não pensei mais em cigarro.

    Campanha contra o fumo: "Your body is your home. Don`t smoke/ Seu corpo é sua casa. Não fume".
    Campanha contra o fumo: “Your body is your home. Don`t smoke/ Seu corpo é sua casa. Não fume”.

    Tratamentos

    Pouquíssimo tempo depois do carnaval (e da minha recaída), engravidei novamente. E desta vez foi pela Alice que não cheguei mais perto de um cigarro. Não vou negar que muito de vez em quando dá vontade… Mas do mesmo jeito que a vontade vem, vai embora rápido! Mesmo com as cervejinhas a mais (rs). Uma coisa que eu não sabia é que a dependência química causada pela nicotina do cigarro é reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde desde 1997.

    Jaqueline Xavier, gerente de gestão em saúde da Vitallis Sanitas, operadora de planos de saúde no Brasil, explica que em muitos casos, o tabagista precisa de apoio para largar o vício. “O próprio Sistema Único de Saúde (SUS) oferece desde 2004 um tratamento gratuito nas Unidades Básicas de saúde e nos hospitais para quem deseja parar de fumar e não consegue”, completa.

    O tratamento pode passar por grupos de apoio com ajuda psicológica aliado à terapia medicamentosa. A avaliação médica é indispensável para indicar o tratamento ideal personalizado a cada paciente.

    Tenho muito orgulho de ser ex-fumante, reconheço o meu esforço e serei eternamente grata aos meus filhos Teodoro e Alice, pois por eles consegui largar o vício e manter-me firme nesta decisão. Mas não julgo quem não conseguiu parar de fumar… Sei que é extremamente difícil. É uma droga, né?Mas vale a pena tentar, seja quantas vezes for! Quer motivos? O pneumologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Dr. Waldomiro José, explica. “A cada dia sem fumar, diminui o risco de câncer e doenças cardíacas, a respiração fica mais fácil, há melhora no desempenho físico, mental e sexual. Além disso, as pessoas que convivem com o fumante também são poupadas das toxinas, pois não podemos esquecer que os fumantes prejudicam a si mesmos e ao outro, provocando doenças pelo tabagismo passivo. Por último, ainda há benefício econômico, já que não gastarão mais com maços de cigarro”, finaliza.

    P.S. Já li que toda vontade que você tem (de tudo: cigarro, chocolate, compras compulsivas, mensagens de texto alterada rs) duram apenas 5 minutos. Então, na hora que bater aquela vontade de fazer besteira…please…espere apenas 5 minutos que passa!

    Mais de 100 razões para parar de fumar (extraído INCA – Instituto Nacional do Câncer):

    Ao parar de fumar os benefícios à saúde são quase imediatos, conforme demonstrado a seguir:

    • Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.
    • Após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue.
    • Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
    • Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor.
    • Após 2 dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta melhor a comida.
    • Após 3 semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora.
    • Após 1 ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade.
    • Após 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram
  • Coaching de mães: descubra como ele pode te ajudar!

    Coaching de mães: descubra como ele pode te ajudar!

    Desorganização, inquietamento, insatisfação, vontade de mudar … Quem nunca se sentiu assim depois que tornou-se mãe? Sabe aquela vontade de pedir ajuda, mas sem saber para quem? Talvez a solução seja procurar uma coach de mães!

    A tradução de coaching é “treinamento”. O Instituto Brasileiro de Coaching define como “uma metodologia nova que busca atender as seguintes necessidades humanas: atingir metas, solucionar problemas e desenvolver novas habilidades no ambiente pessoal ou profissional”. O termo vem sendo bastante utilizado para segmentos diversos, inclusive a maternidade. “Coach” é o profissional que exerce a profissão.

    Mas o que faz exatamente uma coach de mães?

    De acordo com Vanessa Ribeiro, administradora de empresas especializada em Gestão de Projetos e coach há 2 anos, o coaching é um processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que ajuda as mães a tomarem decisões mais assertivas e reorganizarem a vida após a maternidade. Ela explica que o coaching pode ser útil em uma transição de carreira, no empreendedorismo materno, nas dúvidas e dificuldades na criação dos filhos, nos problemas de relacionamentos e até mesmo nos problemas com a autoestima. “Não é possível separar vida profissional e vida pessoal, porque quando uma área não vai bem automaticamente outras áreas acabam sendo afetadas”, alerta.

    Evelyse Modesto, que atua como coach de mães há um ano, formada em Coaching Integral Sistêmico, aponta que é muito comum as mães perderem o controle do tempo, da saúde, da alimentação e da rotina após a chegada dos filhos. “Todas as mães precisam. É sempre possível ser melhor. Tudo que está bom pode melhorar. E tudo que está ruim, pode piorar. No coaching é sempre buscado o estado desejado, sempre resultados melhores”, completa.

    Qual o perfil das mulheres que procuram por uma coach?

    “Mulheres que buscam sua melhor versão. Que buscam melhor performance profissional, sem abandonar a família. Mulheres que buscam mais disciplina, organização, conhecimento e inteligência emocional para lidar com trabalho, marido, filhos”, afirma Evelyse Modesto.

    Vanessa Ribeiro, que também é mentora do projeto online Mamãe de Sucesso (voltado para as mães com menos tempo e menor potencial de investimento), afirma que as mulheres que a procuram são, em sua maioria, mães que buscam uma forma de empreender seus conhecimentos e habilidades para ter maior flexibilidade de tempo com os filhos. “Muitas mães que já empreendem também me procuram por se sentirem improdutivas e não conseguirem alavancar os negócios”, diz.

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    “Além da carreira, trabalhamos a família e a saúde como um todo”, diz a coach Vanessa Ribeiro.

    Foi o caso da professora de inglês Aline Fonseca, mãe de Gael, de 10 meses. Aline não estava satisfeita com os resultados financeiros de sua carreira dos últimos 4 anos em que atuava em regime de ME (Micro Empresa). “Me esgotou monetária, física e mentalmente”, diz. Quando o filho estava com 4 meses, no final da licença maternidade, Aline foi atrás da coach Vanessa Ribeiro no intuito de clarear as ideias em relação ao desenvolvimento pessoal e ao empreendedorismo materno. “Percebi possibilidades onde antes eu não havia visto”.

    Patricia Alves, de 38 anos, com filhas de 21, 18 e 8 anos procurou a coach Evelyse Modesto para as sessões de coaching no início desse ano para se organizar e descobrir formas de voltar a trabalhar fora sem culpa, sem deixar a família de lado. “O sonho de me realizar profissionalmente é enorme, mas para a realização dele eu precisei de ajuda, dicas e orientação de como aproveitar o meu tempo da melhor forma possível”, revela. “O que mudou foi que minha coach me fez dar o primeiro passo, me fez ver que eu cumpro meu papel de mãe e sou muito feliz por isso, mas que agora chegou a hora de conciliar meu mundo mãe com meu mundo profissional, mulher”.

    Evelyse Modesto
    “O coaching está ligado a todas as áreas da vida”, afirma a coach Evelyse Modesto.

    Pode ser comum algumas pessoas confundirem o coaching com sessões de psicoterapia, uma vez que em ambas as atividades existe o processo de autoconhecimento. A psicóloga e palestrante Mariana Bonnás passou recentemente pelo processo de coaching com Vanessa Ribeiro. Ela explica que psicoterapia e coaching são bem diferentes e que, inclusive, uma mesma pessoa pode passar por ambos, caso veja esta necessidade. “A psicoterapia trata de transtornos psicológicos, visando a melhora e/ou cura do indivíduo. Ela se baseia no passado e presente para que seja possível um trabalho profundo. A psicoterapia também não tem prazo, em alguns casos pode ser rápido e em outros ser necessária por toda vida. Já o coaching é um processo breve e com foco nas metas e desejos da pessoa. Ela busca conhecer melhor suas habilidades e dificuldades para aprender como trabalha-las da melhor forma”, esclarece Mariana Bonnás, que também é autora do blog Vida de Gestante e Mãe e dá dicas de maternidade em seu canal do Youtube.

    Mais sobre as coaches da reportagem:

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    >> Você já se sentiu perdida após a maternidade?

  • Como resgatar a intimidade com o parceiro após os filhos

    Como resgatar a intimidade com o parceiro após os filhos

    Hoje o assunto é sexualidade pós-parto! Mas não tem a ver com a quarentena e com os primeiros dias após o nascimento dos filhos! Tem a ver com a rotina desgastante como mãe durante os primeiros anos das nossas crianças x relacionamento do casal.

    Você sabia que a saúde sexual foi reconhecida pela OMS em 1983 como um pilar do conceito de saúde? Photo via Visual hunt
    Você sabia que a saúde sexual (ou saúde reprodutiva) é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um pilar do conceito de saúde? Photo via Visual hunt

    Abro esta matéria com uma constatação que a doutora Flávia Fairbanks, coordenadora de ginecologia do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, fez durante o evento Saúde da Mulher & Sexualidade, realizado em São Paulo em maio deste ano:

    “Infelizmente existe um jargão que fala que o puerpério dura 2 meses (…) Isso não existe!”, afirmou a doutora sobre o resgate da sexualidade da mulher após o nascimento dos filhos. “Acho que não existe UMA mulher que tenha passado pela experiência da maternidade que não tenha tido dificuldades nos primeiros ANOS pós-parto”, ressaltou a especialista.

    Sim, anos!

    “A mulher moderna é vista como a mulher maravilha, que dá conta de tudo, mas não é verdade. A mulher moderna é uma perfeita malabarista. Como é que a gente dá conta de tudo? Ser mulher, profissional, ser mãe, estar em forma, seguir a dieta correta, cuidar adequadamente dos seus filhos, ser uma boa esposa/ namorada e assim por diante. Sempre tem um prato desses que está meio desequilibrado. Essa culpa sobre a falta de possibilidade da gente conseguir adequadamente equilibrar esses papeis, interfere profundamente na sexualidade da mulher. Então a mulher moderna hoje é uma mulher estressada. A gente tem um stress embutido que tem um reflexo muito grande na questão sexual”, esclarece a doutora Flávia Fairbanks.

    A grande dúvida é: O que podemos fazer para termos de volta a intimidade com o nosso parceiro diante de tantas responsabilidades que, são, sim, muito cansativas no dia a dia de uma mãe (e que nem preciso listar aqui porque você já sabe de cor e salteado)?

    Resgatar a autoestima é o primeiro passo e, talvez, o processo mais difícil, na minha opinião. Não é fácil se olhar no espelho e confirmar que o peito murchou, a barriga não voltou, o bumbum está flácido. Acho que nos primeiros anos da maternidade estamos tão envolvidas com os cuidados com os filhos e as descobertas de ser mãe que, quando nos damos conta, envelhecemos anos! Voltar os olhos para si, cuidar mais da saúde e do bem estar faz uma diferença enorme na autoestima!

    Também é preciso levar em conta que é absolutamente normal o relacionamento dar uma esfriada com o tempo – e não só com a chegada dos filhos. A ginecologista Flávia Fairbanks fez uma comparação sobre o chamado “amor jovem” e o relacionamento do dia a dia, aquele mais duradouro. No amor jovem, o desejo sexual surge súbita e espontaneamente. “É a fase de borboletinhas voando na boca do estômago, que todo mundo queria que durasse para sempre, mas a gente sabe, até do ponto de vista médico, que não tem como durar”, pondera.

    “As pessoas se sentem sexualmente insatisfeitas porque não estão vivendo a paixão (…)  Não adianta correr pela paixão a vida inteira. Mas, de vez em quando, quando o relacionamento está muito morno, dê uma apimentada, dê um banho de dopamina e ocitocina”, brinca a ginecologista sobre os hormônios da paixão. “A paixão é o momento máximo da excitação. Mistura das maiores concentrações das melhores substâncias que a gente produz: misto de dopamina com ocitocina”.

    Sim, hormônios! E como os nossos hormônios têm tudo a ver com a resposta sexual feminina, é importante também manter em dia a consulta ao ginecologista, pois o(a) médico(a) poderá avaliar os seus níveis de hormônios.

    E quando está tudo bem com a saúde, a doutora explica que os nossos sentidos podem ajudar a desencadear o desejo feminino. A visão, a audição, o tato… “Os órgãos dos sentidos estão aí para homens e mulheres usarem e explorarem”, afirmou, listando primeiramente a percepção visual, de se sentir observada, de sentir que o homem está olhando a mulher. E eu acho que é aí que entra a nossa autoestima. Porque você só vai se sentir desejada quando você estiver bem consigo mesma, sem vergonhas da barriga, da celulite, do peito caído. Porque não é isso que importa! Mas que é difícil trabalhar isso na gente, ah é sim!

    Também tem a percepção do toque. “A gente precisa estimular os parceiros a nos tocarem, mas não é agarrar. É o toque suave que mostra que vai ter uma conexão corpórea”. E a percepção auditiva: “Que mulher não gosta de ouvir eu te amo? Homens precisam saber falar a coisa certa na hora certa”.  Hummm, talvez o problema esteja aí, né? (hihihi)

    “Tendo visão, tato e audição adequadamente estimulados, a resposta sexual funcionará adequadamente”, finaliza a médica.

    Para mim, a lição que ficou foi: se está faltando vontade de dar aquele “up” no relacionamento, primeiramente livre-se de culpas. Descarte alguma alteração hormonal. E depois faça a reaproximação com o parceiro usando os sentidos, como visão, audição, tato, paladar e olfato (vale mesmo até o sexto sentido, por quê não? rs).

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    Um susto em minha vida: o resultado da mamografia

    Estetoscopio
    Muito provavelmente a maioria das pacientes que entra em um consultório de um mastologista chega como eu cheguei: amedrontada, frágil.

    Faz tempo que estou para escrever esse post desabafo, mas não poderia fazê-lo em um dia melhor do que hoje. Algumas pessoas acompanharam o meu susto quando descobri um nódulo no seio (leia aqui). Mas não foi “apenas”o susto da descoberta (como se não bastasse isso, né?) … Infelizmente meu caminho cruzou com um médico totalmente despreparado.

    Tudo começou quando descobri o tal nódulo no seio direito através da mamografia e do ultrassom. O nódulo media 1,8cm e era palpável, ou seja, eu conseguia senti-lo. Mas, por estar localizado abaixo do músculo, eu não tinha certeza de que eu estava apalpando um nódulo, entendem? Ou seja, depois os exames confirmaram a minha suspeita.

    Como contei no outro post, o nódulo foi classificado no padrão internacional BI-RADS na categoria 3, que quer dizer “nódulo provavelmente benigno, com chance de 2% de ser maligno”. Fiquei apavorada com esses 2% e quis tirar tudo a limpo antes mesmo de mostrar o resultado para a minha médica. Sem pedir nenhuma indicação, fui atrás de um mastologista. Liguei em um hospital que eu já estava acostumada a ir e marquei consulta com o primeiro médico que estava disponível nos próximos dias.

    Fui na consulta sozinha, achei que não precisava, que estava tudo sob controle. Afinal, eu estava indo naquela consulta apenas para entender o que eram aqueles 2% de chance de aquele nódulo ser ou virar um câncer de mama.

    E gente…foi um dos piores dias da minha vida. Peguei o médico errado, simples assim! Um médico que não tinha o menor tato para lidar com pessoas! Muito provavelmente a maioria das pacientes que entra em um consultório de um mastologista chega como eu cheguei: amedrontada, frágil. E você quer ouvir explicações, além é claro, de palavras que te acalmem. Porque, para apavorar, já basta o Doutor Google! Mas não foi isso que eu encontrei! O tempo todo o médico só falava em “tumor” no lugar de “nódulo”. Uma palavra que por si só já assusta, né? E com apenas um ultrassom e uma mamografia feitos, com um nódulo categoria BI-RADS 3 (ou seja, sem a confirmação de malignidade), saí do consultório com vários pedidos de exames pré-operatórios na mão! Sem muitos rodeios, o senhor médico me disse que eu precisava operar… e depressa, pois o tumor poderia aumentar, tipo, semana que vem (sei que existem tumores malignos de crescimento rápido, mas não era o meu caso)! Perguntei se havia alguma chance de eu não precisar operar, já que, segundo os exames que eu estava apresentando, estávamos falando de apenas 2% de chance de ser maligno. E ele me disse “é da sua vida que estamos falando…estou aqui para resolver o seu problema”. POW! E em seguida veio uma oferta bastante inadequada para aquele momento: “e se você quiser aproveitar e colocar uma prótese de silicone, meu irmão é cirurgião plástico, aí a gente já faz um pacote”. OI????

    Na verdade a minha sorte foi ele ter oferecido os serviços do irmão, pois foi nessa hora que um alarme ecoou na minha cabeça. Afinal, isso também soou estranho para você, não? Bom, saí do consultório aos prantos, só conseguia pensar em coisas ruins naquele momento. Liguei para o meu marido e avisei que provavelmente dentro de 15 dias eu estaria em uma mesa de cirurgia e que eu precisava correr para fazer exames e consulta com um cardiologista, já que na semana que vem o nódulo do meu seio que media 1,8 cm poderia chegar a 5 cm! Ufa! Era MUITA coisa para uma tarde de terça-feira. MUITA informação para quem só queria entender o que eram os 2% de chance de malignidade.

    Ainda com um nó na garganta, liguei para a minha irmã para contar como havia sido a (desastrosa) consulta. Eu já estava um pouco anestesiada e até conformada, mas os fatos deixaram minha irmã indignada com aquele médico. Como assim já falar em cirurgia sem ao menos ter o resultado de uma biópsia? Como assim falar que pode fazer um pacote especial para aproveitar e colocar silicone?? OK, me convenceu a procurar uma segunda opinião!

    Nesse meio tempo ainda fui fazer a ressonância magnética que ele tinha indicado, um exame bem chato de fazer. Fiquei uns 40 minutos deitada de bruços dentro de um túnel, imóvel, com um barulho ensurdecedor. Já tinham me dado a dica para ficar o tempo todo de olhos fechados, para não bater um pânico lá dentro (uma vez dentro do túnel, você não pode se mexer. Mas se não aguentar, pode acionar um botão para parar o exame). Depois descobri que, no meu caso, eu não precisava ter passado por esse incômodo da ressonância.

    Procurei um outro médico, desta vez com indicação. Tudo diferente, mais humanizado e foi aí que fiquei com muita raiva do primeiro médico. Raiva da angústia e do medo que ele me fez passar, raiva de tanto pensamento negativo que passou pela minha cabeça graças a ele. Esse segundo médico fez questão de me explicar tudo o que o resultado do ultrassom significava e se mostrou surpreso quando contei que eu já estava com pedidos de exames pré-operatórios. Ele explicou que fazer uma cirurgia poderia sim ser uma possibilidade, pois o nódulo (veja bem, ele só falou em “nódulo”), mesmo benigno, poderia representar riscos de desenvolver um câncer mais para frente (mas ele falou em anos e não semanas). Mas isso só saberíamos depois de ter uma biópsia em mãos.

    Como eu disse no início, o nódulo era palpável. Além disso, me causava um incômodo, quase chegava a doer. Ou seja, eu não conseguia esquecer que eu tinha um nódulo. Isso começou a me dar um certo pavor.

    Mas saí do consultório super aliviada, feliz de ter encontrado um bom médico e que, além de tudo, sabia lidar com pessoas! Marquei a mamotomia, que é um tipo de biópsia da mama que utiliza uma agulha grossa. Cheguei bem nervosa para fazer esse procedimento. Fiz em um hospital. Não doeu nada, pois tomei anestesia, mas a sensação era muito estranha. Em momento algum eu olhei! Preferia ficar com o rosto virado para a parede, mas eu sabia que o médico estava ali com uma “maquininha” dentro do meu seio direito retirando fragmentos de uma coisa que nem era para existir! Foi retirado praticamente todo o nódulo, por isso não sinto mais incômodo nem dor.

    Quando terminou, ainda fiquei mais 20 minutos deitada com a enfermeira fazendo compressa gelada para auxiliar na cicatrização. Fiquei enfaixada por 1 dia inteiro, fazendo repouso e sem fazer força com o braço direito. Sem dúvida saí mais tranquila do que cheguei. O resultado chegou na minha casa 1 semana depois. Abri o envelope e meus olhos corriam por aquelas palavras estranhas, sem entender nada, até que fixei na frase: sem sinais de malignidade. UFA, finalmente!! Dados concretos!

    Voltei hoje ao mastologista para levar esse resultado. Ele frisou que não havia sinais de malignidade e que uma cirurgia era desnecessária, mesmo que fosse para retirar o restante do nódulo. Mas que agora preciso fazer o controle precoce, que é a mamografia e o ultrassom a cada 6 meses para saber se houve alguma alteração na lesão. Mais para frente esse controle pode virar anual.

    Foi um susto, um grande susto! Nesses últimos meses (tudo aconteceu em julho e agosto) acabei descobrindo algumas pessoas próximas a mim que passaram pela mesma situação, pelo mesmo nervoso e que, graças a Deus, tudo deu certo. Confesso que ainda fico incomodada em fazer o auto exame novamente, pois dá um medo absurdo de achar alguma coisa que não deveria existir… mas enfim, é necessário!

    Escrevi esse texto para desabafar, porque precisava colocar essa história para fora. Mas também escrevi para encorajar as mulheres a não sabotarem a própria saúde: façam os exames de rotina, façam o auto exame da mama e, se surgir alguma dúvida, não hesitem em procurar um médico. Ah, e se  possível, peçam indicação de um médico de confiança para alguma amiga ou conhecido, pois faz toda a diferença nessa hora, acreditem!

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    Cuidados com a saúde após o parto: entrevista com Dr. Paulo Nowak, da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo

    No post anterior, falei sobre como é fácil as mães se esquecerem da própria saúde por conta da nova rotina na maternidade e contei sobre a descoberta de um nódulo no meu seio. É muita correria e a gente acaba deixando nossa saúde para trás, eu sei! Mas repito: nossos filhos precisam da gente… então cuidem-se!

    Photo via Visual Hunt
    nossos filhos precisam da gente… então cuidem-se! / Photo via Visual Hunt

    Em entrevista com o Dr. Paulo Nowak, membro da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP), descobri que existem estudos que mostram que quase metade das mulheres não voltam no obstetra após o parto.

    Além da recuperação da mulher após o parto e identificar o melhor método contraconceptivo para o período, o retorno no obstetra também pode ajudar a identificar os sintomas da depressão pós-parto. O Dr. Paulo Nowak indica que a mãe deve voltar ao médico em 10 dias, 40 dias e 6 meses depois do nascimento do bebê.

    Confiram a entrevista:

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    “Após a consulta de 10 dias, normalmente a paciente retorna ao médico 40 dias e 6 meses pós-parto. Na consulta de 40 dias o obstetra vai avaliar se a paciente pode retornar a sua rotina” / Photo via Visualhunt

    Depois do nascimento dos filhos é comum as mulheres deixarem a própria saúde de lado e não voltarem ao consultório?
    A rotina exaustiva de cuidados com o bebe no período pós-parto pode fazer a mãe esquecer da sua própria saúde. Existem estudos que mostram que quase metade das mulheres não voltam no obstetra. A primeira consulta deve ser realizada cerca de 10 dias após o parto. Nesse momento o médico vai avaliar a recuperação após o parto, checar se existe algum sangramento acima do normal, se o útero está voltando ao seu tamanho, retirar pontos se necessário, checar como estão as mamas e ajudar na amamentação. Além disso é um momento importante para avaliar como está a saúde mental da mãe, e se ela não está sobrecarregada com os cuidados com o bebê e necessitando de ajuda.

    O médico obstetra também pode ajudar a paciente a identificar a depressão pós-parto?
    A depressão pós-parto costuma acontecer após as 2 primeiras semanas. Antes desse período é muito frequente que a mulher se sinta triste, chore com facilidade e fique mais emotiva. É uma fase conhecida como baby blues, e se não houver melhora desses sintomas após as duas semanas podemos estar frente a um quadro depressivo. O obstetra é o profissional que está acostumado a identificar os sintomas e ajudar no tratamento da depressão pós-parto.

    Quais os exames que a mulher precisa fazer logo após o parto e quando eles devem ser feitos?
    Se a gravidez e o parto transcorreram de forma normal, sem doenças associadas, não serão necessários exames laboratoriais nessa fase. A consulta médica e exame clínico adequado vão identificar se existe a necessidade de alguma pesquisa especifica para complicações que podem acontecer nesse período, como anemia, trombose e infecções.

    Quando a paciente não tem nenhuma queixa emergencial, qual o intervalo ideal para fazer uma consulta de rotina com o ginecologista?
    Após a consulta de 10 dias, normalmente a paciente retorna ao médico 40 dias e 6 meses pós-parto. Na consulta de 40 dias o obstetra vai avaliar se a paciente pode retornar a sua rotina, se ela ainda tem restrições para atividade física, e se ela pode sair do resguardo. Também nesse momento se avalia a melhor opção de anticoncepção, lembrando que durante a amamentação existem restrições a alguns métodos contraceptivos.

    E quais são os exames considerados de rotina para fazer nesses retornos ao médico? Que doenças podemos prevenir ou diagnosticar com antecedência se fizermos esses exames?
    Após 6 meses, a consulta vai ser ginecológica. A paciente volta a fazer seus exames de rotina de acordo com sua faixa etária, como Papanicolau, rotina de sangue e exames de imagem que forem necessários. Se ela tem doenças crônicas também é uma boa hora para avaliar se o tratamento está adequado ou se são necessários novos exames e alterações na medicação.

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    A saúde da mãe sempre para trás e o dia que descobri um nódulo no seio

    Tenho certeza que depois que você se tornou mãe, você entendeu o verdadeiro significado de “vida corrida” e “sem tempo para nada”. Os filhos tornam-se a nossa prioridade e ocupam boa parte do nosso tempo, do pensamento e das preocupações (com toda razão, né?). Mas, gente… para os nossos filhos crescerem saudáveis, eles também precisam de uma mãe saudável.  Aquela brincadeira de que “mãe não pode ficar doente” é uma grande verdade.

    Depois das visitas frequentes ao obstetra e da enxurrada de exames durante a gravidez, a mulher tende a esquecer da própria saúde depois que o bebê nasce. É totalmente compreensível, afinal, a adaptação para essa nova vida (a vida de mãe) demora um pouco mesmo. Aí quando você começa a se acostumar com a rotina, a licença maternidade chega ao fim e você tem uma nova preocupação: a volta ao trabalho. Isso sem contar com a mudança no relacionamento com o parceiro (que muda, vai!), o cansaço físico, emocional, escolha da creche, além de toooodas as preocupações rotineiras, que não são poucas. E a sua saúde acaba indo lá para o fim da lista de prioridades :/

    grafite na parede de um médico auscultando um coração
    Para os nossos filhos crescerem saudáveis, eles também precisam de uma mãe saudável.

    Mas não podemos! Cuidem-se! Seus filhos precisam de você!

    Falo por experiência própria. Dei uma sumida na ginecologista depois que a minha caçula, atualmente com 2 anos e meio, nasceu. Após 2 anos, com uma cólica fora do padrão que estava me preocupando, decidi retornar à médica. No final das contas, a cólica não era nada de anormal. Mas ela me pediu alguns exames de rotina e BUM: apareceu um nódulo na mama! Totalmente inesperado! Na verdade eu já estava sentindo um incômodo no seio há um tempo, mas tinha certeza que eram o araminhos do soutien que estavam me machucando. Fazendo o auto exame, eu confundia esse nódulo com os ductos mamários e, assim, dizia para mim mesma que não era nada, que eu estava procurando pelo em ovo. Logo em seguida, me lembrava de alguma coisa urgente que eu precisava fazer e mais uma vez minha saúde ia para o final da lista.

    Felizmente, a princípio esse nódulo é benigno (e espero que continue assim). Ele foi classificado no padrão internacional BI-RADS na categoria 3, que quer dizer “nódulo provavelmente benigno, com chance de 2% de ser maligno”, e que pede um controle de mamografia e ultrassom das mamas semestralmente por um período de tempo. Não preciso nem dizer que tudo isso me deixou apavorada, né? Por mais que existam resultados mais preocupantes, preferia que não tivesse nada.

    Ainda estou em processo de consultas a mastologistas e exames complementares para assegurar que o nódulo seja realmente benigno e para saber se precisarei operar para retirar, mesmo sendo benigno. Foi um susto (e ainda está sendo), mas serviu para mostrar a importância de nos cuidarmos, de não deixarmos de lado a nossa saúde.

    Atualização: leiam a continuação e os detalhes no post “Um susto em minha vida: o resultado da mamografia

    Somos mães e nossos filhos precisam da gente!

    Vão ao médico regularmente, façam seus exames de rotina, cuidem-se!

    Durante esse processo de descoberta do nódulo no meu seio, fiz uma entrevista com o Dr. Paulo Nowak, ginecologista e obstetra, membro da diretoria da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP) sobre os cuidados que a mãe deve ter após o parto. Ele me contou que estudos apontam que quase metade das mulheres não voltam no obstetra! Como eu disse no início do post, super compreensível… mas não dá! Tem que voltar ao médico sim! Clique aqui para ler a entrevista.