Mês: junho 2017

  • Coaching de mães: descubra como ele pode te ajudar!

    Coaching de mães: descubra como ele pode te ajudar!

    Desorganização, inquietamento, insatisfação, vontade de mudar … Quem nunca se sentiu assim depois que tornou-se mãe? Sabe aquela vontade de pedir ajuda, mas sem saber para quem? Talvez a solução seja procurar uma coach de mães!

    A tradução de coaching é “treinamento”. O Instituto Brasileiro de Coaching define como “uma metodologia nova que busca atender as seguintes necessidades humanas: atingir metas, solucionar problemas e desenvolver novas habilidades no ambiente pessoal ou profissional”. O termo vem sendo bastante utilizado para segmentos diversos, inclusive a maternidade. “Coach” é o profissional que exerce a profissão.

    Mas o que faz exatamente uma coach de mães?

    De acordo com Vanessa Ribeiro, administradora de empresas especializada em Gestão de Projetos e coach há 2 anos, o coaching é um processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que ajuda as mães a tomarem decisões mais assertivas e reorganizarem a vida após a maternidade. Ela explica que o coaching pode ser útil em uma transição de carreira, no empreendedorismo materno, nas dúvidas e dificuldades na criação dos filhos, nos problemas de relacionamentos e até mesmo nos problemas com a autoestima. “Não é possível separar vida profissional e vida pessoal, porque quando uma área não vai bem automaticamente outras áreas acabam sendo afetadas”, alerta.

    Evelyse Modesto, que atua como coach de mães há um ano, formada em Coaching Integral Sistêmico, aponta que é muito comum as mães perderem o controle do tempo, da saúde, da alimentação e da rotina após a chegada dos filhos. “Todas as mães precisam. É sempre possível ser melhor. Tudo que está bom pode melhorar. E tudo que está ruim, pode piorar. No coaching é sempre buscado o estado desejado, sempre resultados melhores”, completa.

    Qual o perfil das mulheres que procuram por uma coach?

    “Mulheres que buscam sua melhor versão. Que buscam melhor performance profissional, sem abandonar a família. Mulheres que buscam mais disciplina, organização, conhecimento e inteligência emocional para lidar com trabalho, marido, filhos”, afirma Evelyse Modesto.

    Vanessa Ribeiro, que também é mentora do projeto online Mamãe de Sucesso (voltado para as mães com menos tempo e menor potencial de investimento), afirma que as mulheres que a procuram são, em sua maioria, mães que buscam uma forma de empreender seus conhecimentos e habilidades para ter maior flexibilidade de tempo com os filhos. “Muitas mães que já empreendem também me procuram por se sentirem improdutivas e não conseguirem alavancar os negócios”, diz.

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    “Além da carreira, trabalhamos a família e a saúde como um todo”, diz a coach Vanessa Ribeiro.

    Foi o caso da professora de inglês Aline Fonseca, mãe de Gael, de 10 meses. Aline não estava satisfeita com os resultados financeiros de sua carreira dos últimos 4 anos em que atuava em regime de ME (Micro Empresa). “Me esgotou monetária, física e mentalmente”, diz. Quando o filho estava com 4 meses, no final da licença maternidade, Aline foi atrás da coach Vanessa Ribeiro no intuito de clarear as ideias em relação ao desenvolvimento pessoal e ao empreendedorismo materno. “Percebi possibilidades onde antes eu não havia visto”.

    Patricia Alves, de 38 anos, com filhas de 21, 18 e 8 anos procurou a coach Evelyse Modesto para as sessões de coaching no início desse ano para se organizar e descobrir formas de voltar a trabalhar fora sem culpa, sem deixar a família de lado. “O sonho de me realizar profissionalmente é enorme, mas para a realização dele eu precisei de ajuda, dicas e orientação de como aproveitar o meu tempo da melhor forma possível”, revela. “O que mudou foi que minha coach me fez dar o primeiro passo, me fez ver que eu cumpro meu papel de mãe e sou muito feliz por isso, mas que agora chegou a hora de conciliar meu mundo mãe com meu mundo profissional, mulher”.

    Evelyse Modesto
    “O coaching está ligado a todas as áreas da vida”, afirma a coach Evelyse Modesto.

    Pode ser comum algumas pessoas confundirem o coaching com sessões de psicoterapia, uma vez que em ambas as atividades existe o processo de autoconhecimento. A psicóloga e palestrante Mariana Bonnás passou recentemente pelo processo de coaching com Vanessa Ribeiro. Ela explica que psicoterapia e coaching são bem diferentes e que, inclusive, uma mesma pessoa pode passar por ambos, caso veja esta necessidade. “A psicoterapia trata de transtornos psicológicos, visando a melhora e/ou cura do indivíduo. Ela se baseia no passado e presente para que seja possível um trabalho profundo. A psicoterapia também não tem prazo, em alguns casos pode ser rápido e em outros ser necessária por toda vida. Já o coaching é um processo breve e com foco nas metas e desejos da pessoa. Ela busca conhecer melhor suas habilidades e dificuldades para aprender como trabalha-las da melhor forma”, esclarece Mariana Bonnás, que também é autora do blog Vida de Gestante e Mãe e dá dicas de maternidade em seu canal do Youtube.

    Mais sobre as coaches da reportagem:

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    >> Você já se sentiu perdida após a maternidade?

  • A chatice de ler sobre o lado ruim da maternidade

    A chatice de ler sobre o lado ruim da maternidade

    Vou contar uma coisa… às vezes (muitas vezes) me irrito quando leio/ assisto matérias do tipo “desmistificando a maternidade”, “o lado B da maternidade” ou, falando mais abertamente, “o lado ruim da maternidade”. Porque ser mãe não é fácil, porque a gente não dorme bem nunca mais, porque amamentar é dolorido,  porque educar é estressante, porque o casamento sofre mudanças etc etc etc. Essa é a mais pura verdade? É! Mas de tanto texto assim que vejo por aí, parece até que o objetivo é desencorajar as futuras mães…

    textos sobre maternidade
    Photo via VisualHunt

    OK, entendo que é importante falar sobre a vida real, até mesmo para outras mães que estejam passando pela mesma situação encontrarem uma rede de apoio e poderem sentir que não estão só. Mas, por outro lado, acho chatíssimo ficar falando o tempo todo das coisas negativas da vida de mãe. Quando eu estava com 8 meses de gravidez do meu primeiro filho li uma matéria em um blog falando que a amamentação era difícil, era dolorida, que podia dar mastite, que o peito ia rachar, que o bebê ia demorar muito para aprender a pega. E sinceramente? Achei super broxante ler tudo aquilo!

    Quando meus filhos completaram 2 anos, eu estava mais preocupada com o tal do “terrible two” que li tanto na internet do que com as novidades do desenvolvimento deles. Qualquer chorinho eu já apontava: “olha lá, olha lá, é o terrible two!!”. E às vezes nem era isso…

    Eu sei que precisamos falar também das dificuldades do mundo materno. Mas acho que, se é pra falar algo ruim, que seja dando a solução, indicando um caminho, ajudando ou então que vá pelo lado mais cômico, mais na esportiva. Falar que é difícil só por falar, me parece um spoiler chato, um estraga prazeres. Por que eu vou querer saber das “10 coisas chatas que não te contaram sobre a maternidade” se posso descobrir eu mesma sendo mãe dos meus filhos?

    Está rolando uma problematização da maternidade muito maçante na minha opinião. Acho que dá para levar a vida com os filhos com mais leveza, não dá?

    Esse “sermão” serve para mim também, tá? Muitas vezes me pego falando sem necessidade sobre partes chatas de maternar. Quer tentar fazer um reforço positivo comigo nos próximos dias? Que tal nos esforçarmos para enxergar mais o lado A da maternidade, que é o que importa de verdade?

  • 8 ciladas que você pode evitar nas viagens com crianças

    8 ciladas que você pode evitar nas viagens com crianças

    Férias escolares chegando e muitas famílias estão se preparando para viajar com os filhos! Confira a lista das ciladas mais comuns em férias com crianças e veja se você já caiu em uma dessas!

    férias com crianças
    Foto: freeimages.com

    Férias, viagens, bagunça, sair da rotina, dormir tarde… amo! Mas não podemos negar que viajar com as crianças dá um baita trabalhão e requer um certo planejamento, né?

    Eu mesma já caí em algumas furadas e por isso fiz uma relação das ciladas mais comuns em férias com crianças. Conversei também com algumas amigas e leitoras, que me ajudaram a criar essa lista! A Marcela, por exemplo, mãe da Ana (5) e da Gabi (2), evita pegar estrada em datas muito concorridas: “Viajar com crianças em datas críticas, tipo Ano Novo, e ficar horas no congestionamento… É meu terror, confesso”.

    Já para Luciana, mãe da Malu, de 2 anos, furada é sair de férias com antigos amigos que não têm filhos e que esperam ser uma viagem como nos velhos tempos: “Quando todos ainda estão tomando café da manhã, você já está pensando no almoço”, brinca sobre a mudança de horários que sofremos quando os filhos nascem.

    E você já passou por alguma cilada com as crianças em viagens?

    1. Deixar para fazer a mala em cima da hora
      Não precisa fazer a mala com uma semana de antecedência, mas também deixar para arrumar tudo 1 hora antes é pedir para se estressar ou esquecer de alguma coisa. Especialmente se seu filho for bebê, quando levamos o triplo de bagagem!
    2. Viajar sem a cadeirinha no carro
      Furada, cilada, roubada! Perigosíssimo transportar crianças sem a cadeirinha do carro! Além de tudo, é lei, é obrigatório! Até, pelo menos, um ano da idade, bebê conforto; entre um e quatro anos, pode passar para a cadeirinha de segurança; entre quatro e sete anos e meio, assentos de elevação. Na dúvida entre qual modelo usar atente-se ao peso e altura da criança juntamente com as recomendações do equipamento fornecidas pelo fabricante.
    3. Viajar por muitas horas de avião com bebê no colo
      É uma decisão difícil ($$)! Se por um lado a economia de não pagar um assento para o bebê de colo faz uma bela diferença no orçamento, por outro lado ficar com um bebê no colo sentada (e imóvel para não acordar o filho) no assento do avião por várias horas seguidas é beeeeem, mas beeeem incômoda. Já fui para Miami com filho de 11 meses no colo e meu braço quase gangrenou (rs).
    4. Não levar água e lanchinho
      Criança entediada na viagem já é difícil. Criança entediada e com fome/ sede, aí é osso! Tem que fazer uma lancheirinha para levar na viagem, não tem jeito! Outra dica é levar chupetas extras! Quantas vezes no meio da estrada eu pirei porque a filha tacava a chupeta no meio do estofamento e ninguém conseguia achar!
    5. Não levar farmacinha
      Farmacinha, carteirinha do plano de saúde, telefone da pediatra e doses recomendadas… Tudo sempre à mão. Infelizmente pode aparecer uma virose, uma dor de barriga ou mesmo uma alergia a picadas. Passar por uma febre inesperada e estando fora de casa, é muita roubada não ter à mão um remédio que a criança já esteja acostumada a usar.
    6. Não saber nada sobre o destino ou o hotel
      Eu até gosto do movimento “Deixa a vida me levar”, mas com filhos pequenos tudo muda, né? Talvez a desinformação não chegue a estragar a viagem, mas pode gerar um certo desconforto. Por exemplo, vocês chegam no hotel com toda a criançada e descobrem que o lugar é considerado o “melhor resort da América do Sul para curtir a dois e passar a lua de mel”! “Você acaba se sentindo com aquela obrigação de sair falando aquela frase bem conhecida entre as mães: ‘desculpe pela bagunça, desculpe qualquer coisa’”, comentou Luciana, a mãe da Malu. Não que isso não possa acabar virando uma piada depois…
    7. Fotos, poses e vídeos
      Preocupar-se em registrar tooodos os detalhes da viagem, tirando fotos o tempo inteiro para postar no Instagram, no Facebook, fazer lives ou stories e esquecer-se de curtir o momento AO VIVO é uma das maiores ciladas de viagem!
    8. Esquecer a paciência em casa
      E caso algo não saia como o planejado (que é o que geralmente acontece mesmo hahah), não caia na cilada de perder a paciência! Faz parte também! Aproveitem!!

    E você, também já passou por alguma cilada em viagem com filhos? Qual a maior furada em férias que vocês já se encontraram?

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  • Passeios escolares na educação infantil: você já autorizou?

    Passeios escolares na educação infantil: você já autorizou?

    Para algumas mães e pais, passeios escolares são sinônimo de preocupação e ansiedade! A gente nunca sabe se está na hora de autorizar e fica com remorso de não deixar ir. E agora?

    Crianças em passeios escolares. Photo credit: anna carol via VisualHunt / CC BY
    Photo credit: anna carol via VisualHunt / CC BY

    Logo que minha filha Alice entrou na escolinha, em 2015, participei de uma reunião de pais e professores sobre o ano letivo daquela turminha. Eis que um pai, visivelmente empolgado, pergunta para a orientadora quando as crianças participariam de um passeio fora da escola. Meu corpo gelou, senti uma tremedeira e engoli seco. Como assim, passeio? Mas jááá?? Ela estava com 2 anos…

    A impressão é que todo mundo saberia lidar tranquilamente com esse assunto, menos eu. Até o dia que o comunicado do passeio escolar chegou pela agenda. Eu tinha que tomar uma decisão! E aí? Deixar ou não deixar?

    Descobri que eu não era a única que se sentia insegura. O que me ajudou bastante na ocasião foi deixar a vergonha de lado, ligar para a escola e fazer toooodas as dezenas de perguntas que rondavam a minha cabeça. É importantíssimo que os pais se sintam seguros e confortáveis, até mesmo para passar esse sentimento para a criança. Minha dica é que você exponha para a escola quais são suas dúvidas, angústias e receios. Por mais absurdo que pareça, não tenha vergonha de perguntar!  A escola – não se esqueça – é a sua aliada!

    E para ajudar outras mães que também perdem o sono quando o assunto é passeio escolar, conversei com duas educadoras sobre a importância das vivências fora da escola e quais os cuidados que devemos ter na hora de autorizar o passeio.

    Katarina Bergami, coordenadora educacional da Faces Bilíngue, escola sócio-construtivista situada no bairro de Higienópolis, destaca alguns itens que os pais devem checar junto à coordenação da escola: “Deve-se levar em consideração o objetivo do passeio, se há infraestrutura apropriada no local, se o local é seguro, se o transporte é seguro e apropriado, se a equipe que acompanha as crianças é suficiente para garantir a segurança e os cuidados necessários”.

    Patricia Caram Miranda, diretora e orientadora educacional da Escola Meu Castelinho, acredita que essa experiência fora da escola é tão rica para a criança, quanto para os pais, pois temos que lidar com nossos medos e receios.

    A escola, localizada em Pinheiros, realiza passeios e estudos do meio para alunos com idade a partir de 2 anos “Os pais devem se informar muito bem sobre o lugar onde será o passeio, refletir sobre o quanto a experiência poderá agregar, consultar a intuição e decidir se estão prontos e seguros para proporcionarem para si e seus filhos esta experiência. Claro, uma certa insegurança faz parte no primeiro passeio do filho, mas ela deve ser em uma dose saudável e suportável. Cada um deve saber o seu limite e respeitar o seu tempo”, afirma.

    É interessante compreender que o passeio em si não diz respeito apenas ao destino final – o museu, o teatro, o parque. Toda a experiência da saída da escola pode ser benéfica ao aluno. “Envolve desde o meio de transporte até a vivência do lugar onde irão. Apenas a experiência de sair da escola e fazer um passeio já traz para o aluno a oportunidade de se ‘ver’ longe dos pais e ‘dar conta’, desenvolvendo autonomia, independência e autoconfiança”, explica Patricia Caram.

    Geralmente escolhemos locais que agregarão para os alunos experiências e vivências pertinentes à faixa etária, que geralmente relacionam aquilo que aprendem dentro da escola, servindo também de ferramenta de aprendizagem. Na escolha dos lugares para se passear, a equipe também considera as linguagens das crianças e quais as probabilidades de ampliação de repertório linguístico e cultural”, completa.

    Segundo Katarina Bergami, da Faces Bilíngue, tudo o que a criança pode observar, traz uma experiência.
    Segundo Katarina Bergami, da Faces Bilíngue, tudo o que a criança pode observar, traz uma experiência.

    Katarina Bergami, da Faces Bilíngue, destaca o estímulo à exploração e à observação nos passeios escolares: “Tudo o que ela pode observar, traz uma experiência, um estímulo, um interesse diferente sobre um assunto específico. E se considerarmos apenas o fato de estarem em um lugar diferente, que não conhecem, já os estimula à observação de tudo à sua volta – o que sempre é benéfico. A vontade de explorar aparece imediatamente”.

    E o que eu decidi sobre o passeio escolar da filha citado logo no início deste texto? Não deve ser levado em conta aqui, pois sempre será uma decisão muito pessoal, de cada família e que diz respeito a cada filho.

    Acredito que o mais importante é você entender a proposta da escola, tirar todas as dúvidas para sentir-se confiante e respeitar a sua decisão, seja ela qual for.

    Na hora de autorizar os seus filhos, os pais devem levar em consideração a experiência que proporcionarão para eles versus a escuta do próprio coração, no sentido de consultarem para saber se a família toda está preparada para tal desafio. O que garanto é que, após a experiência, a satisfação de aluno, família e escola é recompensadora”, finaliza a diretora e coordenadora Patricia Caram.

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  • Como resgatar a intimidade com o parceiro após os filhos

    Como resgatar a intimidade com o parceiro após os filhos

    Hoje o assunto é sexualidade pós-parto! Mas não tem a ver com a quarentena e com os primeiros dias após o nascimento dos filhos! Tem a ver com a rotina desgastante como mãe durante os primeiros anos das nossas crianças x relacionamento do casal.

    Você sabia que a saúde sexual foi reconhecida pela OMS em 1983 como um pilar do conceito de saúde? Photo via Visual hunt
    Você sabia que a saúde sexual (ou saúde reprodutiva) é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um pilar do conceito de saúde? Photo via Visual hunt

    Abro esta matéria com uma constatação que a doutora Flávia Fairbanks, coordenadora de ginecologia do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, fez durante o evento Saúde da Mulher & Sexualidade, realizado em São Paulo em maio deste ano:

    “Infelizmente existe um jargão que fala que o puerpério dura 2 meses (…) Isso não existe!”, afirmou a doutora sobre o resgate da sexualidade da mulher após o nascimento dos filhos. “Acho que não existe UMA mulher que tenha passado pela experiência da maternidade que não tenha tido dificuldades nos primeiros ANOS pós-parto”, ressaltou a especialista.

    Sim, anos!

    “A mulher moderna é vista como a mulher maravilha, que dá conta de tudo, mas não é verdade. A mulher moderna é uma perfeita malabarista. Como é que a gente dá conta de tudo? Ser mulher, profissional, ser mãe, estar em forma, seguir a dieta correta, cuidar adequadamente dos seus filhos, ser uma boa esposa/ namorada e assim por diante. Sempre tem um prato desses que está meio desequilibrado. Essa culpa sobre a falta de possibilidade da gente conseguir adequadamente equilibrar esses papeis, interfere profundamente na sexualidade da mulher. Então a mulher moderna hoje é uma mulher estressada. A gente tem um stress embutido que tem um reflexo muito grande na questão sexual”, esclarece a doutora Flávia Fairbanks.

    A grande dúvida é: O que podemos fazer para termos de volta a intimidade com o nosso parceiro diante de tantas responsabilidades que, são, sim, muito cansativas no dia a dia de uma mãe (e que nem preciso listar aqui porque você já sabe de cor e salteado)?

    Resgatar a autoestima é o primeiro passo e, talvez, o processo mais difícil, na minha opinião. Não é fácil se olhar no espelho e confirmar que o peito murchou, a barriga não voltou, o bumbum está flácido. Acho que nos primeiros anos da maternidade estamos tão envolvidas com os cuidados com os filhos e as descobertas de ser mãe que, quando nos damos conta, envelhecemos anos! Voltar os olhos para si, cuidar mais da saúde e do bem estar faz uma diferença enorme na autoestima!

    Também é preciso levar em conta que é absolutamente normal o relacionamento dar uma esfriada com o tempo – e não só com a chegada dos filhos. A ginecologista Flávia Fairbanks fez uma comparação sobre o chamado “amor jovem” e o relacionamento do dia a dia, aquele mais duradouro. No amor jovem, o desejo sexual surge súbita e espontaneamente. “É a fase de borboletinhas voando na boca do estômago, que todo mundo queria que durasse para sempre, mas a gente sabe, até do ponto de vista médico, que não tem como durar”, pondera.

    “As pessoas se sentem sexualmente insatisfeitas porque não estão vivendo a paixão (…)  Não adianta correr pela paixão a vida inteira. Mas, de vez em quando, quando o relacionamento está muito morno, dê uma apimentada, dê um banho de dopamina e ocitocina”, brinca a ginecologista sobre os hormônios da paixão. “A paixão é o momento máximo da excitação. Mistura das maiores concentrações das melhores substâncias que a gente produz: misto de dopamina com ocitocina”.

    Sim, hormônios! E como os nossos hormônios têm tudo a ver com a resposta sexual feminina, é importante também manter em dia a consulta ao ginecologista, pois o(a) médico(a) poderá avaliar os seus níveis de hormônios.

    E quando está tudo bem com a saúde, a doutora explica que os nossos sentidos podem ajudar a desencadear o desejo feminino. A visão, a audição, o tato… “Os órgãos dos sentidos estão aí para homens e mulheres usarem e explorarem”, afirmou, listando primeiramente a percepção visual, de se sentir observada, de sentir que o homem está olhando a mulher. E eu acho que é aí que entra a nossa autoestima. Porque você só vai se sentir desejada quando você estiver bem consigo mesma, sem vergonhas da barriga, da celulite, do peito caído. Porque não é isso que importa! Mas que é difícil trabalhar isso na gente, ah é sim!

    Também tem a percepção do toque. “A gente precisa estimular os parceiros a nos tocarem, mas não é agarrar. É o toque suave que mostra que vai ter uma conexão corpórea”. E a percepção auditiva: “Que mulher não gosta de ouvir eu te amo? Homens precisam saber falar a coisa certa na hora certa”.  Hummm, talvez o problema esteja aí, né? (hihihi)

    “Tendo visão, tato e audição adequadamente estimulados, a resposta sexual funcionará adequadamente”, finaliza a médica.

    Para mim, a lição que ficou foi: se está faltando vontade de dar aquele “up” no relacionamento, primeiramente livre-se de culpas. Descarte alguma alteração hormonal. E depois faça a reaproximação com o parceiro usando os sentidos, como visão, audição, tato, paladar e olfato (vale mesmo até o sexto sentido, por quê não? rs).

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    Nunca é tarde para tirar uma segunda lua de mel (ou a terceira, a quarta…)

     

     

  • Você já se sentiu perdida após a maternidade?

    Você já se sentiu perdida após a maternidade?

    Acho que poucas mães passam batido pela fase da maternidade de sentir-se perdida no mundo.

    Onde estou, o que eu sou, o que eu vou fazer?

    Quem nunca se perguntou isso depois de ter filhos?

    O sentimento de desnorteio após a chegada dos filhos é mais comum do que pensamos
    O sentimento de desnorteio após a chegada dos filhos é mais comum do que pensamos. Foto: freeimages.com

    Eu também dei uma travada e confesso que estou começando a me reencontrar só agora, com filhos de 5 e 3 anos, sobre o que eu sou e o que eu quero.

    Mas dá para entender o motivo de tanta confusão… Depois da maternidade, a nossa vida ganha um novo sentido, não é? De repente, o que importava antes, não faz o menor sentido agora. E cabe a nós conseguirmos nos adaptar a essa nova vida. Isso pode levar alguns meses… Ou anos! E tudo bem! Se você está passando por essa fase de se sentir perdida, acredite: você não está sozinha! A amiga do lado deve estar passando pelos mesmos questionamentos que você!

    Já vi dezenas de mães que mudaram radicalmente as suas vidas depois do nascimento dos filhos, seja no campo profissional, afetivo ou social. E é por tanta movimentação desse universo materno, que eu andei buscando uma resposta para esta questão.

    Por que essa nossa inquietação?

    A psicóloga especialista em pré-natal, doula e educadora perinatal Luciana Rocha afirma que ter esse sentimento de desnorteio é mais comum do que pensamos. Ela falou uma frase super impactante e que é a mais pura realidade:

    “Ninguém sai impune da maternidade”.

    sad-silhouette-1429626E olhem que interessante que a psicóloga Luciana Rocha falou! Ela afirmou que essas transformações são mais intensas nas mulheres que buscam exercer uma maternidade mais consciente. Ufa, me senti melhor até (rs). Quer dizer…a gente sofre tanto por estar tentando dar o melhor de si!

    Luciana Rocha completa: “A mulher revisita a sua própria história, a sua própria identidade e não se reconhece mais. Junto com o bebê, revive suas angústias, suas feridas internas, suas fragilidades e seus medos. E precisa se reinventar em cima disso tudo. Esse processo não é nada fácil. É um tempo de um retiro, de autoconhecimento intenso e de conhecimento do filho. Nesse processo, alguns valores, princípios, prioridades e importâncias mudam de lugar na vida da mulher. E enquanto a mulher precisa reorganizar isso tudo, a retomada da vida vai ficando como segundo plano, por isso, essa sensação de desnorteamento ou de não mais pertencimento. Alguns sentidos da vida mudam de lugar, de intensidade, de tom. Nesse sentido, ninguém sai impune da maternidade. Algumas pessoas vivenciam essa transição e renascimento com mais leveza, outras com mais pesar. Mas todas são impactadas por essas transformações. E mais intensamente as que buscam exercer uma maternidade mais consciente.

    Conforme essas mudanças vão sendo incorporadas, os papéis vão sendo retomados naturalmente. Algumas vezes, se busca o retorno desses papéis como fuga da angústia enfrentada nesse renascimento, e a sensação de desnorteamento vem com mais intensidade. Ou, algo muito comum em nossa realidade brasileira, as mães são obrigadas a reassumirem determinados papéis, independentemente de estarem emocionalmente preparadas, e a sensação de desnorteamento ou estranheza, de abandono e culpa, vêm com mais intensidade”, finaliza a psicóloga e educadora perinatal.

    Para as mulheres que estão passando por essa fase de questionamentos internos, a dica é dividir experiências e anseios com outras mães. “Poder trocar os sentimentos e emoções experimentados livre de julgamento, ajuda muito. Permitir esse profundo mergulho em si”, completa a psicóloga Luciana Rocha. Procurar um psicólogo perinatal também pode ajudar bastante.

    Você também teve esse sentimento de desgoverno após a maternidade? Já conseguiu se reencontrar?

    Compartilhe a sua experiência comigo! Estou preparando um post sobre “como se sentir uma mãe bem sucedida nos dias atuais”. Você se acha uma mãe bem sucedida? Me escreva! todasasmaes@gmail.com e vamos trocar ideias!

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  • Atividades físicas na infância: por que é tão importante?

    Atividades físicas na infância: por que é tão importante?

    Imaginem a cena: filho de 5 anos, agitadíssimo, daqueles que escalam até poste, cai e fratura o pulso. Gesso no braço por 20 dias!! 20 dias sem poder jogar futebol, fazer natação, treinar kung fu, fazer aulas de circo. Além de tudo, deveria maneirar nas atividades físicas, como correr e pular para não correr o risco de cair.

    Esse é o meu filho! Ele ama praticar e se movimentar, mas sinceramente eu não sabia o quanto a falta destas atividades físicas poderia fazer tanta diferença na vida dele. Lá pelo décimo dia de gesso, ele não dormia bem, parecia estar sempre entediado e não tinha sono. No dia anterior ao retorno ao ortopedista (ele sabia que tiraria o gesso), estava empolgado, mas não pelo fato de ficar com o braço livre e, sim, por saber que voltaria a praticar esportes!

    desenho de criança
    O filho, ansioso para voltar a praticar exercícios, fez esse desenho 1 dia antes de tirar o gesso <3

    Foi então que procurei um especialista para saber mais sobre a relação esportes x crianças e contar para vocês. Que movimentar o corpo faz bem, a gente já sabe! Mas eu queria entender por que a falta de atividades físicas pode mexer tanto com o bem estar de uma criança e, principalmente, como manter esse interesse pelas atividades físicas para a vida toda!

    Conversei com Cristiano Parente, professor e coach de educação física, eleito em 2014 o melhor personal trainer do mundo em concurso internacional promovido pela Life Fitness. Ele afirma que é muito importante que as crianças pratiquem atividades físicas desde cedo. E para quem tem um “220 V” em casa, como o meu filho, o professor dá a dica: “As crianças mais ativas se desenvolvem com mais facilidade, melhor, com mais habilidades e capacidades e aí vai se desenvolver em ambientes sociais e emocionais de outra forma, conseguindo interagir melhor com outras pessoas. Por tudo isso, é muito interessante incentivar a prática de atividade física desde cedo até mesmo para direcionar toda essa energia que as crianças têm”.

    criança escalando no parquinho
    “O ideal é que se pratique todos os dias um pouco de exercício, um pouco de movimento. Num dia pode ser a caminhada até a escola, noutro dia pode ser fazer uma aula de alguma modalidade, noutro pode ser brincar no prédio. Diariamente deve ter um momento, que seja de meia hora ou uma hora, dedicada ao movimento”. Foto: freeimages.com

    ESPORTES x ATIVIDADES FÍSICAS

    É importante saber diferenciar esporte de atividade física. “O esporte será uma atividade mais competitiva e que vai levar o filho a aprender ou desenvolver uma habilidade em um jogo que tenha competição. Isso é diferente de colocar a criança para praticar diversas atividades ou movimentos que não sejam diretamente relacionados ao esporte”, afirma Cristiano Parente. “Já para o que a gente chama de atividades físicas em geral, ela serve para quase todas as crianças. Aprender movimentos, aprender habilidades, criar uma cultura de ser saudável, da necessidade de se ter movimentos todos os dias da vida”, completa.

    ESCOLAS E COMPETIÇÃO

    Sobre o papel da educação física nas escolas, Cristiano Parente levantou uma questão muito séria, que confesso nunca ter pensado a respeito. Se está na nossa genética cognitiva e emocional a necessidade de movimentos, por que será que em determinado momento da vida as crianças começam a se desinteressar pela atividade física? Porque chega uma hora na escola que as crianças se dividem entre os que gostam de educação física e os que não gostam, né? Eu era uma dessas pessoas que odiava! O professor esclarece: “Na escola deve-se tomar cuidado se os jogos não são muito competitivos ou se usa estratégias e atividades excludentes (como a queimada, onde a criança toma uma bolada e é eliminada do jogo), o que traz um clima de estresse e competição de modo que as menos habilidosas se sentem piores que as outras. Cuidar para que seu filho tenha um corpo saudável e que ele não participe de situações de competição precocemente porque eles podem desistir da prática de atividade física”.

    futebol infantil
    “Todas as crianças podem desenvolver habilidades nas mais diversas modalidades. Umas terão mais facilidade em uma ou outra atividade”. Photo credit: xtalx via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA

    A entrevista que fiz com o professor e coach de educação física Cristiano Parente está muito interessante e nos faz refletir sobre as atividades físicas no dia a dia da criança e entender como a prática na infância pode refletir na vida adulta. Confiram!

    Como mãe de um menino de 5 anos, agitado e peralta, o coloco para praticar esportes para gastar essa energia que as crianças têm de sobra e para ele parar de escalar o sofá em casa (rs). Acredito que essa cena seja igual em muitas casas. Mas em quê exatamente a criança está se beneficiando ao praticar um esporte? Como o esporte pode ajudar no desenvolvimento da criança?

    Primeiro, é preciso entender que o esporte será uma atividade mais competitiva e que vai levar o filho a aprender ou desenvolver uma habilidade em um jogo que tenha competição. Isso é diferente de colocar a criança para praticar diversas atividades ou movimentos que não sejam diretamente relacionados ao esporte.

    Então, a ideia para se colocar no esporte é para crianças competitivas, que gostam da competição, de medir forças, crianças que tenham esse perfil. Quais os benefícios disso? O menino fazendo uma atividade que goste, que tenha prazer, fará com que ele se envolva com aquilo de forma a aprender, melhorar e gastar ainda mais energia dentro daquela modalidade específica.

    Já para o que a gente chama de atividades físicas em geral, ela serve para quase todas as crianças. Aprender movimentos, aprender habilidades, criar uma cultura de ser saudável, da necessidade de se ter movimentos todos os dias da vida. Quando isso acontece desde os primeiros anos de vida, a criança cresce com o hábito muito mais embutido na vida dela do que quando começa mais tarde, como um adulto ou mesmo um adolescente.

    atividade fisica na infanciaEntão, é superimportante que se comece a fazer atividade física logo cedo para primeiro criar essa cultura, depois para desenvolver o organismo de maneira mais saudável, lembrando que as crianças mais ativas se desenvolvem com mais facilidade, melhor, com mais habilidades e capacidades e aí vai se desenvolver em ambientes sociais e emocionais de outra forma, conseguindo interagir melhor com outras pessoas. Por tudo isso, é muito interessante incentivar a prática de atividade física desde cedo até mesmo para direcionar toda essa energia que as crianças têm.

    Crianças adoram movimento, correr, pular, se exercitar. Mas alguns vão crescendo e perdendo o interesse nos esportes. Em que momento da infância devemos estar mais atentos para a perda do interesse pela atividade física? E o que devemos fazer para estimular nossos filhos a se exercitarem?

    As crianças começam a fugir do movimento quando elas são colocadas em situações emocionalmente ruins para elas. Porque enquanto ela está fazendo uma atividade que tenha prazer, onde ela não está sendo colocada em segundo plano, onde ela perde um jogo ou uma competição, ou seja, se sentindo bem, ela ali permanecerá.

    Quanto à necessidade que bebês e crianças têm de se movimentar, está diretamente relacionada com o próprio histórico genético do ser humano. Está na nossa genética cognitiva e emocional a necessidade de repetir os movimentos para ficar bom neles – Como exemplo, você dá algo na mão de um bebê e ele o arremessa inúmeras vezes, repetindo o movimento incansavelmente.

    É meio instintivo nos movimentarmos. A questão é que a gente vai criando algumas situações sociais e emocionais que colocam as crianças diante de sensações ruins. Por exemplo, o menino vai para um jogo onde ele não é muito habilidoso e aí ele perde uma, duas, três vezes até se desmotivar a dar sequência naquela modalidade, até por não saber como melhorar. Isso, inclusive, é um papel da educação física escolar, ensinar para as crianças como elas podem se desenvolver em cada uma das habilidades. Desde pequeno, todas as crianças podem desenvolver habilidades nas mais diversas modalidades. Umas terão mais facilidade em uma ou outra atividade, o que determinará isso são inúmeros fatores como equilíbrio ou o fato de ter maior contato com aquela modalidade.

    Então, os pais devem estimular ao máximo o desenvolvimento de habilidades de seus filhos desde cedo, nas mais diversas situações, para que eles se desenvolvam e cresçam com maiores habilidades, de modo que elas consigam participar socialmente dos eventos sem passar por situações e sensações ruins, porque são essas sensações que fazem as crianças se distanciarem.

    Para isso, o primeiro momento a se preocupar é quando inserir as crianças nas instituições relacionadas com atividade física, se é uma instituição que preconiza a competição, que pode ser um problema se você tem um filho e não almeja que ele se transforme num atleta olímpico. Se quer apenas que ele seja saudável e goste de praticar uma atividade física elas devem ficar longe desses locais de competição. Pelo menos até completarem dez anos de idade, até sentir que seja possível inseri-las em ambientes de competição sem grande estresse.

    Por outro lado, se quer fazer dele um atleta, aí sim deve colocá-lo nesse tipo de instituição cedo, já a partir dos três ou quatro anos de idade, de preferência para se dedicar em uma determinada modalidade e se aperfeiçoar desde cedo.

    Então, na escola deve-se tomar cuidado se os jogos não são muito competitivos ou se usa estratégias e atividades excludentes (como a queimada, onde a criança toma uma bolada e é eliminada do jogo), o que traz um clima de estresse e competição de modo que as menos habilidosas se sentem piores que as outras. Também deve cuidar da questão corporal, evitando que a criança se descuide e fique acima do peso desde pequena, o que tornará pior seu desempenho nos exercícios físicos, o que gerará sensações ruins a ele e, consequentemente, seu afastamento da atividade. Cuidar para que seu filho tenha um corpo saudável e que ele não participe de situações de competição precocemente porque eles podem desistir da prática de atividade física.

    A educação física nas escolas é suficiente e satisfatória hoje em dia? 

    Não, não é suficiente nem satisfatória porque a hora de educação física nas escolas não deveria ser a hora de praticar, mas de estudar, entender, aprender e saber como o corpo funciona, porque deve-se praticar diariamente os exercícios, quais são os movimentos, os músculos, enfim, entender como é o corpo para saber qual é a real necessidade dela fazer exercício. Esse seria o momento ideal da aula de educação física.

    A quadra deveria servir como recurso eventual, para experimentar e colocar em prática aquilo que se aprendeu e aí sim, num momento fora da grade curricular, fora da aula de educação física, cada criança escolher o jogo, a habilidade, o movimento que lhe é mais interessante.

    A aula seria o lugar para primeiro aprender e só depois, talvez, experimentar um pouco de cada movimento, e jamais numa situação competitiva.

    O momento da aula de educação física escolar deveria ser usado para se criar bagagem e aprendizado. Somente fora desse momento de aula e já com esse conhecimento a criança escolheria qual habilidade ela quer seguir e participar, independentemente da modalidade.

    Isso, aliás, não importa. O que importa é que cada um tem o direito de escolher qual tipo de atividade gosta, simpatiza mais e tem mais interesse. Nesse momento, então, a educação física escolar já cumpre seu papel, entrando aí a educação física não escolar, nos ambientes fora da escola.

    Quantas vezes por semana é o ideal para uma criança praticar uma atividade física?

    O ideal é que se pratique todos os dias um pouco de exercício, um pouco de movimento. Num dia pode ser a caminhada até a escola, noutro dia pode ser fazer uma aula de alguma modalidade, noutro pode ser brincar no prédio. Diariamente deve ter um momento, que seja de meia hora ou uma hora, dedicada ao movimento. Os pais devem deixar a criança brincar, se movimentar, interagir para ela poder se acostumar com isso durante toda a infância, chegando na adolescência já com esse hábito, de modo que alcance a fase adulta com esse conceito de movimento tão embutido que o indivíduo siga uma vida ativa, definitivamente longe do sedentarismo.

    Para as crianças, essa prática de atividade física diária deve ter o máximo de variabilidade possível, deixando ela entender e vivenciar diversas situações para ela procurar a atividade que ela se sinta mais confortável, competente e integrada, lembrando que o ambiente que gera essa cooperação é muito mais interessante daquele que gera competição.

    cristiano parente

    *Cristiano Parente é professor e coach de educação física, eleito em 2014 o melhor personal trainer do mundo em concurso internacional promovido pela Life Fitness. É CEO da Koatch Academia e do World Top Trainers Certification, primeira certificação mundial para a atividade de educador físico.